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Posts Tagged ‘poesia

a uma borboleta…

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veloz borboleta,

que, leda girando

penosas ideias

me estás avivando;

 

insecto mimoso,

aos olhos tão grato,

da minha tirana

tu és o retrato;

 

a graça que ostentas

nas plumas brilhantes.

tem ela nos olhos

gentis, penetrantes;

 

tu andas brincando

de flor em flor;

anarda vagueia

de amor em amor.

(bocage “ode anacreôntica”; desenho almada negreiros)

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Outubro 30, 2011 at 6:38 pm

viagem num tempo futuro…

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vi

uma fábrica de calçado a fechar:

o mercado saturado,

armazéns de calçado a rebentar!

vi

os trabalhadores da indústria do calçado

descalços.

perguntei-lhes:

porque não vos dêem sapatos?

e a resposta ecoa nos meus ouvidos:

há calçado a mais no mundo!

(stellan arvidson, ”jordglans” 1933)

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Maio 23, 2011 at 7:15 am

diz verlaine…

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il pleure dans mon coeur
comme il pleut sur la ville;
quelle est cette langueur
qui pénètre mon coeur?

ô bruit doux de la pluie
par terre et sur les toits!
pour un coeur qui s’ennuie,
ô le chant de la pluie!

il pleure sans raison
dans ce coeur qui s’écoeure.
quoi! nulle trahison?…
ce deuil est sans raison.

c’est bien la pire peine
de ne savoir pourquoi
sans amour et sans haine
mon coeur a tant de peine!

(paul verlaine)

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Novembro 2, 2010 at 8:02 am

vida

with one comment


já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

mas vivi!
e ainda vivo!
não passo pela vida.
e você também não deveria passar!

viva!!

bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” para ser insignificante.

(augusto branco, “vida”)

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Outubro 18, 2010 at 12:18 pm

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the turn of the tide

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phyllis webb, poetisa e broadcaster anarquista canadiana,  “naked poems”, talking (1965)

i am listening for
                 the turn of the tide
                 i imagine it will sound
                 an appalled sigh

i hear the waves
                 hounding the window:
                 lord, they are the root waves
                 of the poem’s meter
                 the waves of the
                 root poem’s sex

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Outubro 1, 2010 at 8:22 pm

assim falou diane di prima

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destacamos a diane di prima, poetisa norte-americana, anarquista, budista, defensora da liberdade e da individualidade de cada um. escreve:

“it is still news to her that passion
could steer her wrong
though she went down, a thousand times
strung out
across railroad tracks, off bridges
under cars, or stiff
glass bottle still in hand, hair soft
on greasy pillows, still it is
news she cannot follow love (his
burning footsteps in blue crystal
snow) & still
come out all right.”

numa entrevista recente na verbicide magazine, de autoria de jack ellis,  diz sobre a importância da criatividade na contribuição para conseguir mudança e alteração:

“i think there are some — but not that many — people who, when they read something or see something, seriously conceive of themselves as creators or makers or changers of the world. it can be any of those — you might just stay home and play your flute, but that’s making something, and all of that goes into the changing of a world. but just going, ‘oh wow, look at this,’ doesn’t do anything.”

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Setembro 23, 2010 at 7:48 pm

profundezas da rua IV

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palavras do poeta surrealista antónio maria lisboa (1928-1953), numas escadas em lisboa no fim de 2009.

“…na primeira noite mágica

que nós tivemos

abriu-se a janela que caminhava sozinha

e saiu um sonho simples de criança…”

(mais informação no aventar)

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Janeiro 5, 2010 at 9:40 pm