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Archive for the ‘literatura’ Category

a uma borboleta…

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veloz borboleta,

que, leda girando

penosas ideias

me estás avivando;

 

insecto mimoso,

aos olhos tão grato,

da minha tirana

tu és o retrato;

 

a graça que ostentas

nas plumas brilhantes.

tem ela nos olhos

gentis, penetrantes;

 

tu andas brincando

de flor em flor;

anarda vagueia

de amor em amor.

(bocage “ode anacreôntica”; desenho almada negreiros)

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Outubro 30, 2011 at 6:38 pm

Assim falou o Mestre Agostinho da Silva…

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” … A Europa não presta para nada, a Europa… Não se entende , porque se está a querer fazer uma coisa nova numa trapalhada velha … São aqueles estados centralistas do Luís XI , e aquela coisa toda … O que se deve é chegar a outra coisa muito mais importante: à liberdade cultural de cada homem! Já não se trata de esta região ou aquela ser desta ou daquela maneira : trata-se de ser à sua maneira cada pessoa! Temos de levar o mundo a um tal tipo de organização que permita a identidade cultural de cada homem, sem sofrer nenhuma espécie de atropelo. ” (Agostinho da Silva)

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Outubro 30, 2011 at 3:29 pm

l’hédonisme…

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“hedonism suggests identifying the highest good with your own pleasure and that of others; the one must never be indulged at the expense of sacrificing the other. obtaining this balance – my pleasure at the same time as the pleasure of others – presumes that we approach the subject from different angles – political, ethical, aesthetic, erotic, bioethical, pedagogical, historiographical…”

(michel onfray)

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Outubro 3, 2011 at 6:32 pm

Publicado em literatura

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the highest form of living…

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dreams pass into the reality of action. from the actions stems the dream again; and this interdependence produces the highest form of living.

(anais nin)

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Setembro 17, 2011 at 10:04 pm

viagem num tempo futuro…

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vi

uma fábrica de calçado a fechar:

o mercado saturado,

armazéns de calçado a rebentar!

vi

os trabalhadores da indústria do calçado

descalços.

perguntei-lhes:

porque não vos dêem sapatos?

e a resposta ecoa nos meus ouvidos:

há calçado a mais no mundo!

(stellan arvidson, ”jordglans” 1933)

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Maio 23, 2011 at 7:15 am

desenvolvimento ou estagnação?

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“o país perdeu a inteligência e a consciência moral. os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. a prática da vida tem por única direcção a conveniência. não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. ninguém se respeita. não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. já se não crê na honestidade dos homens públicos. a classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. o povo está na miséria. os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. o desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. vivemos todos ao acaso. perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! todo o viver espiritual, intelectual, parado. o tédio invadiu as almas. a mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. a ruína económica cresce, cresce, cresce… o comércio definha, a indústria enfraquece. o salário diminui. a renda diminui. o estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.”

(eça de queirós)

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Março 2, 2011 at 10:38 am

Publicado em fotografia, literatura

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ode à fotografia…

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“a foto é literalmente uma emanação do referente. de um corpo real, que estava lá, e partiram radiações que vêm atingir, a mim, que estou aqui; pouca importa a duração da transmissão; a foto do ser desaparecido vem me tocar como raios retardados de uma estrela. uma espécie de vínculo umbilical liga meu olhar ao corpo da coisa fotografada: a luz, embora impalpável, é aqui um meio carnal, uma pele que partilho com aquele ou aquela que foi fotografado.”

(roland barthes; “câmara clara”)

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Fevereiro 6, 2011 at 10:55 am