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festival de filme anarca em chicago procura contributos cinematográficos

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2010Call

faltam ainda uns largos meses para o evento acontecer, mas a organização do 10º festival de filme anarquista de chicago anuncia já, para a edição de 2010, que recebem contributos cinematográficos, filmes e vídeos ainda não lançados ou visionados pelo público, também enviados do estrangeiro, para serem vistos nos ecrãs da cidade onde decorreu o massacre dos trabalhadores grevistas na praça do haymarket em 1886.

até ao dia 1 de abril do próximo ano estão “de braços abertos para receber sugestões de títulos que inadvertidamente fazem o anarquismo penetrar as fendas do status quo”, podendo ser enviadas collage de filmes, vídeos de música e trailers para trabalhos ainda não realizados, que serão mostrados à assistência numa programação que mistura filmes de fontes mainstream com clássicos redescobertos, películas realizadas in loco na hora do festival e, ainda, filmes de realizadores com uma visão anárquica, conhecidos pelo empenho de solidariedade e o engajamento social.

quem estiver interessado em contribuir com as suas criações no 10º festival de filme anarquista de chicago pode ver aqui.

dias de punk

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ebba grön

anos 80. país suécia. grupo ebba grön. letras anti-capitalistas. críticos do estado. solidariedade com a classe trabalhadora. anti-fascistas. anarquistas. ídolos de várias gerações.

o thåström aos berros na “staten och kapitalet”: “lado ao lado, estão de mãos dadas, o estado e o capital, sentados no mesmo barco, mas não são eles que remam, remam até afogar em suor, e o chicote que esgaravata, nem arranha as suas nucas gordas (…)”.

letra hiperactual sobre os problemas de habitação, as rendas altíssimas, o papel da escola a colmatar o aumento do desemprego, e a pressão nas pessoas que lutam para não perderem o seu ganha-pão.

arte urbana

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olhao

e se o ambiente a nossa volta começa a ficar tão degradado que já não o suportamos? as casas antigas que nos poderiam influenciar positivamente com a sua beleza singular e os seus pormenores estéticos de outrora, caídas em ruínas. as plantas a crescerem nas janelas dos edifícios abandonados. toda a panóplia de uma arquitectura original, para a qual já não há espaço num mundo de urbanização sem nexo, a desfazer-se a frente dos nosso olhos.

há mentes que despertam. que preferem criar em vez de destruir, ajudar a embelezar enquanto em simultâneo fazem ouvir as suas vozes, as suas críticas, mostram os seus sonhos, as suas convicções e a sua arte.

cidade de graffitti. cidade jovem. cidade solidária. cidade de liberdade.

Escrito por imagoverbalis

Abril 24, 2009 em 7:52 pm

aqui fora na rua

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estava eu a tentar pregar olho. tinha estado numa formação sobre comunicação e saúde e estava bem a precisar de dormir após horas e horas a concentrar-me no sotaque brasileiro do formador de rio de janeiro. mês de abril. cidade: porto.

 

estava numa residência em pleno centro portuense com o quarto virado para a rua. com a movimentação normal de uma cidade razoavelmente grande, perto da estação de comboios, do rivoli e da câmara municipal.

 

quase a adormecer, a cantiga insistente começou. primeiro quase não dei por ela. mas com a a alteração constante das vozes que a produzia não tive sossego. pois parecia-me uma data de pessoas a festejarem mesmo debaixo da minha janela no 2º andar.

 

fui espreitar através das persianas. estava um homem sentado no chão, no outro lado da rua, debaixo das arcadas de um dos bancos que nos dizem que nos emprestam dinheiro para facilitar a nossa vida, só para nos sugar e esvaziar o bolso depois. agarrado a uma garrafa de vinho e a berrar uma melodia sem início, meio ou fim. ele é que fazia as vozes todas.

 

estava já a pingar bastante do céu e o homem lá continuava e tentar alegrar-se durante a noite fria e húmida. se calhar sem se aperceber do barulho que produzia e talvez até inconsciente de que a canção mais parecia um remix do pavarotti e do crazy frog.

 

perto das três da manhã, uma das equipas que dão apoio às pessoas menos afortunadas e que vivem na rua passou-lhe uma tupperware com comida e uma manta para o aquecer. só assim é que acabou de cantar. aconchegado. mesmo ao lado de um dos símbolos do capitalismo.

 

noticiaram hoje que com a crise financeira, as organizações de solidariedade estão também a receber menos fundos. as pessoas em geral, além das que já antes tinham pouco dinheiro e não podiam dar, ou das que não queriam sustentar esta pária  (chamados injustamente por alguns) de sem-abrigos que escolheram (?) viver fora do sistema, deixaram de estender a mão a quem já está com a mão estendida, à procura de ajuda.

 

há muitos anos um político na suécia disse que “um dia vamos viver num buraco, e andar de bicicleta para o trabalho, só com uma sandes no bolso”, meio a brincar. hoje parece que esses dias já chegaram a nós. nós, afortunados. agora imagina o resto das pessoas…

 

 

 

 

Escrito por imagoverbalis

Outubro 23, 2008 em 2:37 pm