Posts Tagged ‘igualdade’
tenha coragem e não cerra os punhos

estavam aos gritos já há horas. não aguentava mais. ouvir as acusações. os berros de ódio. as palavras a cairem como vidro num telhado de chapa. com as mãos pressionados contra os ouvidos para espantar as palavras destruidoras, tentou concentrar-se no trabalho de casa e o teste da manhã seguinte. “como é que foste capaz ter com ela, tua merda de filho da puta, não entendes que já topei tudo e que toda a gente fala sobre ti e que já não tolero mais? tens noção o que me fazes, tens noção como me metes nojo, cabrão!!!”, ouvi a mãe gritar, só para, de seguida, ter que aturar a riposta: “és completamente maluca mulher! e se fosse comer outra era bem feita, que tu és uma cabra da primeria que só sais a tua mãe. uma verdadeira bruxa, foda-se! não aturo mais estas merdas, despaparece de minha frente ou não sei o que te faço! sai! que não te quero ouvir mais, granda porca!” mandou a loiça para o chão, desfez-se toda. saiu porta fora. arrancou com o carro que nem um desalmado. foi se embora, como sempre. sem pedir desculpa. sem reflectir. sem entender as consequências. para esquecer e voltar como se nada tivesse acontecido. desceu as escadas. encontrou-a imóvel a gritar para o vazio, histérica, sem controlo, com o olhar fixo para a rua onde de certeza todos os vizinhos tivessem ouvido o que se passou, sem interferirem, sem se preocuparem com os três menores daquela casa. numa aldeia onde a fachada era tudo e o resto aparência. onde chamar a polícia era vergonhoso. não se ligou. a única maneira de calar aquela gritaria infernal era um estalo na cara da mãe. záz! marcou-a por uma vida.
(imagoverbalis©2009)
todos os dia, mas em especial no dia 25 de novembro, junte-se ao movimento maltrato zero, e age contra a violência.
em prol da segurança da mulher

“de todas as mulheres que fazem parte da minha vida, nenhuma será menos do que eu” é um dos slogans da campanha “maltrato zero”, promovida pela organização ibero-americana da juventude (2008/2009), e que tem como objectivo unir toda a sociedade ibero-americana, incluindo portugal, num compromisso para travar os maus tratos, erradicar a desigualdade entre géneros e rejeitar qualquer tipo de violência contra as mulheres.
para o bem da tua vizinha, amiga, irmã, mãe, avó, informa-te, denuncia sempre casos de maus tratos, ajuda e apoia esta causa.
fredrika

mulher lutadora que cedo percebeu a importância da liberdade e da igualdade da mulher com o sexo oposto. novelista, jornalista, feminista, humanista viajou até aos estados unidos de américa no século 19, de onde relatou sobre o sistema que, na altura, ainda encarava a escravidão como natural. o seu empenho para alertar para o papel da mulher como não tradicionalista inspirou tanto o povo como os políticos, tendo sido adoptado reformas a favor da mulher a nível legislativo. o maior movimento feminista sueco foi nomeado herta para honrar o novela da fredrika bremer sobre os direitos da mulher. detalhe da fachada de uma escola de música e antiga escola para raparigas em lund, suécia.
uma pequena grande mulher

laura ayres (1922-1992), muito a frente no seu tempo, pioneira, lutadora corajosa em pé de igualdade com o sexo oposto numa profissão dominada por homens na altura, virologista, cientista, médica, combatente na área da sida, professora, mãe, a traçar o caminho para a saúde pública.
inaugurou o laboratório de saúde pública laura ayres no dia 8 de Maio de 2009.
vivemos juntos?

la femme

desde 1857 que as mulheres lutam para fazerem ouvir as suas vozes e criar um estatuto de igualdade com os homens.
e continuamos a ganhar menos.
o equilíbrio ainda não se instalou.
o feminismo ainda não conseguiu o devido respeito.
num mundo melhor, as celebrações do dia internacional da mulher no 8 de março deixavam de se realizar.
será?

com a viragem da página na história dos estados unidos, para quem assim a interprete, impulsionada pela vitória do barack obama, espera-se uma nova era mais open minded, com mais tolerância, com mais igualdade e com menos repressões.
logo veremos se a mudança se concretiza ou não, certo é que se intensificou a esperança de um mundo mais equilibrada e justa onde as pessoas, sejam de que cor for, poderão dar se o luxo de não só sonhar sobre viverem com plenos direitos mas ver que o dia talvez finalmente tenha chegado para que esse objectivo seja alcançado.
do futuro ninguém sabe, mas o dia de hoje aparenta que as músicas dos tempos dos povos escravizados naquele continente poderão vir a ser outras, e que melodias como esta do harry thacker burleigh e interpretada aqui por jimmy scott fiquem a pertencer mesmo a tempos passados.
sometimes i feel
like a motherless child
sometimes i feel
like a motherless child
a long way from home
true believer
a long way from home
sometimes i wish i could fly,
like a bird up in the sky
sometimes i wish i could fly,
like a bird in the sky
little closer to home
motherless children
have a real hard time
motherless children
have a such a real hard time
so long so long so long
sometimes i feel
like freedom is near
sometimes i feel
like freedom is near
but we’re so far away
sometimes i feel
like it’s close at hand
sometimes i feel
like the freedom is near
but we’re so far from home
sometimes, sometimes,
sometimes
so far, so far, so far,
so far mama from you, so far