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fredrika

mulher lutadora que cedo percebeu a importância da liberdade e da igualdade da mulher com o sexo oposto. novelista, jornalista, feminista, humanista viajou até aos estados unidos de américa no século 19, de onde relatou sobre o sistema que, na altura, ainda encarava a escravidão como natural. o seu empenho para alertar para o papel da mulher como não tradicionalista inspirou tanto o povo como os políticos, tendo sido adoptado reformas a favor da mulher a nível legislativo. o maior movimento feminista sueco foi nomeado herta para honrar o novela da fredrika bremer sobre os direitos da mulher. detalhe da fachada de uma escola de música e antiga escola para raparigas em lund, suécia.
na boa

de regresso da suécia. país sem grandes complicações. nada de facilitismos mas de ordem natural, organização. humano e humanista. onde as ruas são feitas para passear ou andar de bicicleta. onde a estética tem o seu espaço privilegiado. onde o design e o património nacional é acarinhado, destacado. onde se tem orgulho da beleza antiga e contemporânea. onde o verão é quente qb, onde o verde e o florido abundam e onde a trovoada só ajuda a apimentar uma tarde bem passada. lugar de pertença. voltarei. em breve.
zé

há dez anos que o prémio nobel de literatura foi atribuído ao josé saramago em estocolmo. tinha eu já estado há algum tempo a tentar obter uma entrevista com o escritor. veio a faro para apresentar uma nova obra, já não me lembro qual, em 1997 numa livraria da cidade, estava eu, grávida e bastante pesada, á espera do senhor durante muito tempo enquanto os leitores presentes esclareceram as suas dúvidas com o autor famoso.
quando foi a minha vez, o septuagenário já não estava muito para aí virado, pediu desculpa porque já não se encontrava disposto para ser entrevistado, estava cansado. e eu, com uma promessa já feita para um dos jornais suecos para quais trabalhava na altura. fiquei ligeiramente decepcionada, mas pelo menos com o endereço do saramago da casa da ilha de lanzarote.
passaram os meses, nasceu o meu filho e aproximava-se de novo o mês dos nóbeis, outubro. pelo sim, pelo não, e já que o nome do josé saramago vinha sempre ao baile em termos de potencial nobel a literatura escrevi-lhe uma carta com as minhas perguntas e dúvidas. e ele respondeu, agradecendo o meu interesse.
anunciaram que, e de facto esta vez não eram só rumores, o homem ia ser laureado pelos meus congéneres escandinavos.
peguei no telefone, procurei falar com o escritor que sabia se encontrava a residir no hotel altis em lisboa. falei com a pilar, a sua esposa deliciosamente simpática e dócil que lamentava mas o marido estava a dormir, se não me importasse de voltar a ligar um pouco mais tarde.
e voltei a ligar.
desta vez falei com o próprio. simpático e sim senhora, claro que se recordava de mim. combinamos hora e data da entrevista. fui à lisboa, deixei o filhote em casa dos sogros, e embarquei com o marido que tirava fotos para me encontrar com o mestre das frases compridas e somente interrompidas por vírgulas na obra literária do memorial do convento que me tanto tinha fascinado.
tinha meia hora. a conversa prolongou-se por hora e meia. intrigante, espantosa, sábia, ás vezes demasiadamente profunda, mas ao tudo interessantíssima. um verdadeiro privilégio, que me valeu ser uma das únicas jornalistas suecas a conseguir uma entrevista antes da própria entrega dos prémios, com uma página inteira num dos nacionais.
continuo a ler saramago. muito grata pelos seus textos e pelas palavras partilhadas comigo. o próximo livre será o ensaio sobre a cegueira, e já agora vou ver o filme do meirelles. o homem adaptou-se aos medias de hoje. recomenda-se o seu blog.
http://caderno.josesaramago.org/