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o amor e o ódio

vi(c)tória olhanense?

desde há mais de 15 anos que a vivenda victória, este fabuloso edifício olhanense de 1918 com a torre que se ergue a tentar tocar os céus, com janelas multicoloridas e com azulejos art-nouveau a meterem inveja aos coleccionadores e uma das mais importantes residências unifamiliares dos princípios do século xx no sotavento, segundo o ippar, está entregue à decadência e ao degradar do tempo. há um par de anos que ainda lá viviam pessoas e as figueiras nas traseiras serviam para secar roupa lavada.
é mesmo esta imagem que desejamos apresentar aos visitantes? é assim que se trata o património? qual recuperação? qual vamos-tratar-do-que-tem-valor-estético nesta cidade? qual política cultural?
o graffitti de facto só ajuda embelezar a casa neste mundo de pernas para o ar.
vós grafitais

eu grafito, tu grafitas, ela grafita, nós grafitamos, vós grafitais, eles grafitam…
arte urbana na cidade cubista, olhão
arte urbana

e se o ambiente a nossa volta começa a ficar tão degradado que já não o suportamos? as casas antigas que nos poderiam influenciar positivamente com a sua beleza singular e os seus pormenores estéticos de outrora, caídas em ruínas. as plantas a crescerem nas janelas dos edifícios abandonados. toda a panóplia de uma arquitectura original, para a qual já não há espaço num mundo de urbanização sem nexo, a desfazer-se a frente dos nosso olhos.
há mentes que despertam. que preferem criar em vez de destruir, ajudar a embelezar enquanto em simultâneo fazem ouvir as suas vozes, as suas críticas, mostram os seus sonhos, as suas convicções e a sua arte.
cidade de graffitti. cidade jovem. cidade solidária. cidade de liberdade.
na parede

graffitti supostamente inspirado no filme “um cão andaluz” do buñuel
do…coração

arte… urbana… contemporânea…evocou a memória do pintor e escritor da “geração perdida”, à sombra do movimento romântico nacional, ivar arosenius…
boémio e bom-vivant, à procura da liberdade em todos os sentidos, até ao dia em que encontrou a mulher da sua vida e teve uma filha que o inspirou para uma das histórias infantis mais conhecidas na literatura artística sueca, kattresan – a viagem com o gato…
vivemos juntos?
