Archive for Dezembro 2010
haja esperança…

com a viragem do ano a aproximar-se a passos largos (2011 é já amanhã), estamos perante tempos que garantidamente vão dar luta. sem dúvida serão mais difíceis para uns do que para outros, neste país de lógica invertida onde as compras de natal foram feitas como se não houvesse um amanhã para alguns portugueses, enquanto outros nem tiveram, e continuam a não ter, comida suficiente em cima da mesa. somos obrigados a apertar o cinto para o bem de todos, algo que a nosso ver se torna muito vago e arbitrário num sistema onde quem tem posses e bens continua quase intocável, e onde continuamos com o segundo valor mais alto a nível europeu no índice de desigualdade social. quem já se encontra fragilizado é quem arrisca afundar-se cada vez mais com o aumento do custo de vida e com os cortes nos benefícios sociais. torna-se por isso mais urgente do que nunca remar contra a maré de políticas que incentivam uma mentalidade de salve-se quem puder, e lutar pela acção solidária, pela igualdade e pela justiça social, no sentido de contrariar, com todas as forças possíveis, uma iminente instalação de um clima de que tudo isto é fado. só estendendo a mão ao próximo e procurar ajudar é que é possível defendermos os nossos ideais e mantermos a dignidade enquanto seres humanos.
profundezas da rua

calma…

“inward calm cannot be maintained unless physical strength is constantly and intelligently replenished.”
(gautama siddharta, fundador do budismo, 563-483 a.c.)
jump into puddles…
e assim acontece…

tive o privilégio de entrevistar o grande jornalista e fotógrafo carlos pinto coelho (1944-2010) sobre o seu programa “acontece” na rtp2, em meados de 1998, para as páginas de cultura num dos grande diários suecos göteborgs-posten. um senhor de extrema simpatia (não se importava nada que o filhote na altura recém nascido estivesse presente), intenso, e de um nível de cultura único. disse-me na altura que não estava a travar “nenhuma luta evangélica” com o seu programa diário de cultura neste país onde reinam as telenovelas, mas que fazia o programa “porque me dá prazer” e defendia a chamada geração rasca dizendo que “não é verdade que os jovens não contactam com a cultura. aproximam-se do que é bonito, do belo. a cultura é bela. o acto cultural é diário, imediato, simples e é isto que a geração mais nova está a descobrir”. falando sobre o programa curto de 15 minutos disse: “não quero fazer um programa mais comprido. prefiro que o espectador diz: já acabou, em vez de se perguntar quando é que o programa vai acabar. acho que esse é uma parte do sucesso do acontece, é tão curto que o público não se cansa”. a gente não se cansou e lamentámos não ter tido mais anos de programação do que teve, que foi um verdadeiro tesouro televisivo. um bem haja, carlos pinto coelho. foi um prazer conhecê-lo pessoalmente. até mais.
ode à fotografia

“all photographs are memento mori. to take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s)
mortality, vulnerability, mutability. precisely by slicing out this moment and freezing it,
all photographs testify to time’s relentless melt.”