dona de casa 2.0

será que quem no fim da vida fez mais cupcakes ganha algo? ou não? a nova tendência na suécia entre as mulheres da geração mais nova, nascidas numa sociedade moderna de igualdade entre os géneros tanto em casa como no mercado de trabalho, é de se tornarem tão perfeitas em termos profissionais como alguma vez poderão ser também entre as quatro paredes da casa. esta histeria de criar os molhos mais deliciosos segundo a receita da avó, tricotar as camisolas da família e polir os móveis com produto x para que o lar possa brilhar com toda a força, é agora motivo de estudo da jornalista maria nilsson de malmö, que publica este verão um novo livro intitulado “dona de casa 2.0”. as tarefas doméstica são agora desenvolvidas em todos os dias durante a semana, noites e fins-de-semana, e não só entre as 9 e as 16 como fizeram as nossas mães, tias e avós. heroínas, de certeza, por terem levado uma vida a servir os outros, sem a mínima de consideração pelas próprias necessidades. e quem é que não gosta de um bom bolo, de quartos arrumados e sapatos bem alinhados no hall? mas será que as suecas com esta cada vez mais visível mudança de vida à la os anos 50 realmente só querem conseguir uma existência mais autêntica, mais back to basis, mais próxima da família nestes dias de corre-corre? ou será que não estão a deixar a ideia romântica de um lar perfeito com toalhas de branco impecável, de um naperon a quadrados para agradar o companheiro e de janelas bem limpas, sobrepor-se à liberdade que já se conseguiu conquistar? será que as mulheres num dos países mais desenvolvidos do mundo não estarão a provocar o seu próprio backlash? o carinho e a preocupação com os nossos ente queridos não deixa de ser só porque não os aguardamos à porta com a bandeja na mão. a nós não parece um bocado neurótico e desnecessário. uma tendência a vigiar bem e de perto. mulheres acordem que isto não é uma novela!