Archive for Julho 2010
dona de casa 2.0

será que quem no fim da vida fez mais cupcakes ganha algo? ou não? a nova tendência na suécia entre as mulheres da geração mais nova, nascidas numa sociedade moderna de igualdade entre os géneros tanto em casa como no mercado de trabalho, é de se tornarem tão perfeitas em termos profissionais como alguma vez poderão ser também entre as quatro paredes da casa. esta histeria de criar os molhos mais deliciosos segundo a receita da avó, tricotar as camisolas da família e polir os móveis com produto x para que o lar possa brilhar com toda a força, é agora motivo de estudo da jornalista maria nilsson de malmö, que publica este verão um novo livro intitulado “dona de casa 2.0”. as tarefas doméstica são agora desenvolvidas em todos os dias durante a semana, noites e fins-de-semana, e não só entre as 9 e as 16 como fizeram as nossas mães, tias e avós. heroínas, de certeza, por terem levado uma vida a servir os outros, sem a mínima de consideração pelas próprias necessidades. e quem é que não gosta de um bom bolo, de quartos arrumados e sapatos bem alinhados no hall? mas será que as suecas com esta cada vez mais visível mudança de vida à la os anos 50 realmente só querem conseguir uma existência mais autêntica, mais back to basis, mais próxima da família nestes dias de corre-corre? ou será que não estão a deixar a ideia romântica de um lar perfeito com toalhas de branco impecável, de um naperon a quadrados para agradar o companheiro e de janelas bem limpas, sobrepor-se à liberdade que já se conseguiu conquistar? será que as mulheres num dos países mais desenvolvidos do mundo não estarão a provocar o seu próprio backlash? o carinho e a preocupação com os nossos ente queridos não deixa de ser só porque não os aguardamos à porta com a bandeja na mão. a nós não parece um bocado neurótico e desnecessário. uma tendência a vigiar bem e de perto. mulheres acordem que isto não é uma novela!
olé…

os catalães decidiram, e bem, proibir as touradas a partir do dia 1 de janeiro de 2012. pelo menos uma parte da espanha para com as atrocidades e a tortura dos animais que, já há demasiado tempo, têm sido realizadas em nome da tradição. o parlamento da região autónoma da catalunha está de parabéns por ter demonstrado coragem num clima onde as vozes retrógradas e conservadores têm vindo a falar muito alto. o país dos huestro hermanos tornou-se um pouco mais humano. os touros agradecem, e nós também.
a palavra…

“a palavra é uma estátua submersa, um leopardo
que estremece em escuros bosques, uma anémona
sobre uma cabeleira. por vezes é uma estrela
que projecta a sua sombra sobre um torso.
ei-la sem destino no clamor da noite,
cega e nua, mas vibrante de desejo
como uma magnólia molhada. rápida é a boca
que apenas aflora os raios de uma outra luz.
toco-lhe os subtis tornozelos, os cabelos ardentes
e vejo uma água límpida numa concha marinha.
é sempre um corpo amante e fugidio
que canta num mar musical o sangue das vogais.”
(antónio ramos rosa, de acordes, 1989)
blue mo(o)nday
(“blue monday”, new order, 1988)
transformando brique-à-braque em máquinas fotográficas
fã e utilizardora de toy camaras e criadora de fotografia lomo, a fotógrafa de fine art susan burnstine em los angeles constrói as suas próprias máquinas de média formato a partir de objectos de plástico e de aparelhos domésticos. já criou a volta de 20 câmaras, todas diferentes e com as suas próprias características. ler mais sobre o trabalho desta artista fotógrafa na rangefinder. imagens que inspiram.


