Archive for Março 2010
viver, com fantasia

“a fantasia é a mãe da satisfação, do humor, da arte de viver. apenas floresce alicerçada num íntimo entendimento entre o ser humano e aquilo que objectivamente o rodeia. esse ambiente envolvente não tem de ser belo, singular ou sequer encantador. basta que tenhamos tempo para a ele nos habituarmos, e é sobretudo isso que hoje em dia nos falta.”
(hermann hesse, “ainda da felicidade”)
prémio jornalístico em prol dos direitos humanos

encontram-se abertas até 30 de abril as candidaturas ao prémio de jornalismo “direitos humanos e integração”, atribuído todos os anos pela comissão nacional da unesco e pelo gabinete para os meios de comunicação social, sendo admitidos ao concurso trabalhos de imprensa, rádio e meios audiovisuais, publicados ou difundidos em portugal entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2009.
psicose colectiva

é o ar primaveril que faz a malta andar descontrolada e completamente tonta? ou é só o espírito português de sempre? parece que ninguém já atina e que toda a gente anda com a cabeça no ar. nunca ouviram falar de concentração? de método de trabalho? de organização? neste mundo ninguém progride fazendo tudo em cima do joelho. espanta. cansa. enjoa. quem não resigne e não se adapte a este sistema de incerteza, de improviso e de pouco profissionalismo acaba por ser visto como prepotente. mas a lei do menor esforço não pode prevalecer. atrapalha os outros e que faz estagnar. numa sociedade moderna estas cenas não funcionam, aliás são 100% contraproducentes. e deixem-se de conversas que é uma questão de cultura. que é o fado que manda. que a culpa é do tempo da ditadura. deixem-se de queixas e de chutar para o lado. é treta. é pura preguiça. é má atitude. que alguém abane o português para que acorde para a vida. para que deixe de viver no seu próprio umbigo. para que abra os olhos. tem tanto a aprender ainda. por amor de deus, estamos no século XXI.
que aprenda com as palavras do agostinho da silva (“as aproximações”):
“a acção só vale quando é feita como um exercício, e um exercício com amor, quando é feita como uma ascese, e uma ascese por amor de que se liberte o deus que em nós reside. e se a acção implica amargura, o que há a fazer é mudar de campo: porque não é a acção que estará errada, mas nós próprios”.
furar para ver o mundo

realiza-se uma oficina de fotografia pinhole no âmbito da exposição “lagos através do buraco da agulha”, patente de 27 de março a 22 de maio, no centro cultural de lagos, dirigida à comunidade escolar (alunos com mais de 10 anos de idade), dando a oportunidade a todos de explorar a à fotografia estenopeica.
a oficina decorre durante dois dias, sendo o primeiro passo construir uma câmara fotográfica a partir de materiais reciclados, caixas de cartão e latas estanques à luz, para no dia seguinte fotografar com as máquinas feitas á mão e revelar as fotos. uma bela oportunidade para aprender e ficar a conhecer um pouco da magia da fotografia. para mais info, ver aqui.
vai um pedaço de teatro?

chegou a informação, passamos a divulgar:
o al-masrah assinala o dia mundial do teatro com uma acção pública nas ruas de tavira com o objectivo de abrir as portas do ofício e partilhar com a população um pouco do universo teatral, a partir das 16h, em frente ao antigo mercado municipal, numa intervenção vocacionada para actores e não-actores.
e já às 21:30 naquela noite, o projecto ruínas apresenta “molusco”, no espaço da corredoura, tavira.
“dois investigadores da diáspora científica portuguesa partem para os eua no rasto de um personagem histórico, protagonista de um crime. o trajecto é sinuoso e parco em evidências, mas é agora tempo de trazer a lume as conclusões.
a sua curiosidade, rigor e método criaram condições ímpares para a investigação. já o objecto de estudo por sua vez, tem o rigor de uma carinária ou de um burrié, mas nem isso os faz desanimar. com um nível obsessivo de dedicação e uma criteriosa gestão de não se sabe bem o quê, evitam o fracasso a todo o custo. no entanto, um problema de objectividade parece comprometer seriamente os resultados.
um puzzle-palestra em que dois actores e um músico seguem ao ritmo esquivo do show must go on. só precisam de uma oportunidade: molusco – ideas worth spreading”
encenação: francisco campos
texto: criação colectiva
interpretação: miguel antunes e francisco campos
música: ricardo freitas
produção: projecto ruínas
buuu…rton

desilusão, desconforto e desgosto são os verdadeiros 3d que o “alice na (bl)underlândia” provoca na produção do tim burton. o artista desta vez vendeu à sério a sua alma à disney, que lhe garantiu um formato maravilha 3 dimensional que, sem dúvida, o ajudou criar cenários fantasiosos e apetecíveis, mas que pela técnica só acaba por atrapalhar o momento a frente do grande ecrã. fãs do mundo do burton noutras circunstâncias, esperemos sinceramente que o 3d seja passageiro visto que não traz nada para enriquecer a experiência da sétima arte. resultado incoerente, mal dimensionado e pouco convincente. se um coelho branco tivesse passado na sala com o relógio na mão a chamar-nos a atenção pela pressa e a escassez do tempo, tínhamos saído porta fora. só a dança do chapeleiro no fim alivia, e suaviza um pouco a rebeldia e o lado anarca da figura, sendo outra das pouquíssimas mensagens interessantes que ficam desta tentativa burtoniana a franca emancipação da personagem principal alice com um toque de preocupação feminista.
mas é claro, até podem muito bem ser reflexões que somos levados a interpretar como existentes naquele mundo delirante cinematográfico, quiçá talvez lá colocados para engolirmos o isco como o resto do público?