a vantagem do medo, segundo dagerman

“ (..) é-nos necessário aguçar a nossa lucidez a fim de a tornarmos cortante como uma lâmina, acerada como uma seta, percuciente como uma punção. é graças a essa lucidez que funciona a nossa consciência, que não passa afinal de uma transcrição idílica do nosso medo, porque o medo lembra-nos infatigavelmente a direcção justa, e se sufocarmos o nosso medo, perderemos a possibilidade de nos orientarmos numa direcção determinada e daremos aqui e ali lugar a uma série de estúpidas explosões privadas, causando os piores estragos para um mínimo de resultados. (…) devemos conservar dentro de nós o nosso medo como um porto sempre livre de gelos que nos ajude a passar o inverno, e também como uma corrente submarina vibrando por baixo da superfície gelada dos rios.”
(stig dagerman, 1923-1954, “a ilha dos condenados”)