Archive for Novembro 2009
ghost town…

cenário numa das poucas saídas da cidade de faro, onde (quase) todos têm que passar para abalar da cidade. os restos da casa, que ruiu há cerca de dois anos, ameaçando a via pública, peões e automobilistas, continuam a jazer mesmo aqui ao lado. ninguém parece mexer uma palha para retirar o entulho e eliminar a ruína uma vez por todas. mais uma atrocidade desta “capital” do algarve que já se está a candidatar ao lugar número 1 entre os sítios espanta-turistas devido aos ambientes degradados que oferece. ninguém se responsabiliza? entretanto, oiçam aqui uma bela música dos the specials dos anos 80 sobre o tema.
a defesa volta a citar-nos, nós agradecemos.
a beleza do graffiti

cada vez que passamos em olhão, ficamos espantados com a street art que cobre grande parte das paredes gastas e degradadas. se ameaça tornar-se um cenário repetitivo e em demasia, o problema não é dos grafiteiros mas dos responsáveis políticos que não têm capacidade de criar ambientes suficientemente agradáveis para a população viver. com a ajuda destes artistas, a cidade fica pelo menos mais colorida e o graffiti torna-se útil, como neste caso onde a bonecada chama a atenção pelo perigo da passadeira:” atravesse com cuidado”.
quem se interessa por esta expressão artística, tem a grande oportunidade de visitar a escola primária na rua das gaivotas em lisboa onde neste momento está a decorrer a 5ª exposição colectiva vsp (visual arte performance), segundo as notícias “o maior evento anual de graffiti e street art do país”.
loja solidária com portas abertas durante um mês

abre este sábado a loja solidária para animais em risco, na rua miguel bombarda, em faro, onde as associações pata vermelha, pravi (projecto de apoio a vítimas indefesas) e maf (movimento pró animal de faro) juntam forças para angariar fundos que revertem a favor do tratamento e da medicação dos amigos de quatro patas.
quem estiver interessado em contribuir com artigos em segunda mão, pode entregar artigos de decoração, roupas, livros, material escolar, obviamente em bom estado, que serão vendidos a um preço simbólico, sendo outra vertente da loja solidária facilitar as compras de natal a pessoas com menos posses.
o espírito natalício parece estar no ar. vamos aproveitar a onda. não se esqueçam de contribuir.
a loja solidária funciona de 28 de novembro a 27 de dezembro, entre as 16:00 e as 20:00 horas, de segunda a sexta-feira, aberto todo o dia ao fim-de-semana.
atenção: no mesmo espaço vendem-se também antiguidades. aí reverte uma parte à pessoa que colcou o artigo à venda e outra à proprietária da loja, ou seja, nesse caso não se trata de solidariedade mas de puro negócio. para não acharem que fizeram uma boa acção que afinal só foi um negócio sem cariz solidário.
cem por cento de humidade
cinzento. chuva. um friozinho daqueles que tem o efeito nalguns ficarem na cama a beber chocolate quente, no aconchego do calor da casa, e acabar aqueles três livros que estão a devorar em simultâneo há que tempos. outros ficam cheios de energia e parece arrebitarem com uma vontade insaciável de se (com)fundirem com a natureza de forma selvagem. como quando éramos pequenos. antes dos tempos dos playstations, wiis, tv cabo e canais satélite. não havia (quase) um dia em que ficámos quietinhos a olhar pela janela, mas juntávamo-nos à chuva. sem medo de constipações. sem medo de nos molhar. com os pés bem enfiados em botas de borracha (uma das poucas coisas boas que a aristocracia inglesa deu ao povo) chapinhávamos as poças todas, transformávamos pedaços de tábuas em barcos, e com a cara virada para cima, bebemos do céu. sempre abertos para novas aventuras. bora lá, de novo?
fantasia burtoniana em retrospectiva no moma

nestes dias é possível ter acesso físico ao mundo fabuloso do tim burton nas salas do moma (museu de arte moderna) de nova iorque, numa retrospectiva dedicada ao criador e autor americano, pai do “eduardo mãos de tesoura”, “a noiva cadáver” e “o estranho mundo de jack”, numa exposição que junta 700 objectos, desde pinturas, desenhos e fotografias, até marionetas e vestuário utilizado nos filmes. cativa e maravilha miúdos e graúdos até fins de abril de 2010. em nome da imaginação.
tenha coragem e não cerra os punhos

estavam aos gritos já há horas. não aguentava mais. ouvir as acusações. os berros de ódio. as palavras a cairem como vidro num telhado de chapa. com as mãos pressionados contra os ouvidos para espantar as palavras destruidoras, tentou concentrar-se no trabalho de casa e o teste da manhã seguinte. “como é que foste capaz ter com ela, tua merda de filho da puta, não entendes que já topei tudo e que toda a gente fala sobre ti e que já não tolero mais? tens noção o que me fazes, tens noção como me metes nojo, cabrão!!!”, ouvi a mãe gritar, só para, de seguida, ter que aturar a riposta: “és completamente maluca mulher! e se fosse comer outra era bem feita, que tu és uma cabra da primeria que só sais a tua mãe. uma verdadeira bruxa, foda-se! não aturo mais estas merdas, despaparece de minha frente ou não sei o que te faço! sai! que não te quero ouvir mais, granda porca!” mandou a loiça para o chão, desfez-se toda. saiu porta fora. arrancou com o carro que nem um desalmado. foi se embora, como sempre. sem pedir desculpa. sem reflectir. sem entender as consequências. para esquecer e voltar como se nada tivesse acontecido. desceu as escadas. encontrou-a imóvel a gritar para o vazio, histérica, sem controlo, com o olhar fixo para a rua onde de certeza todos os vizinhos tivessem ouvido o que se passou, sem interferirem, sem se preocuparem com os três menores daquela casa. numa aldeia onde a fachada era tudo e o resto aparência. onde chamar a polícia era vergonhoso. não se ligou. a única maneira de calar aquela gritaria infernal era um estalo na cara da mãe. záz! marcou-a por uma vida.
(imagoverbalis©2009)
todos os dia, mas em especial no dia 25 de novembro, junte-se ao movimento maltrato zero, e age contra a violência.
