viagem

é o vento que me leva.
o vento lusitano.
é este sopro humano universal
que enfuna a inquietação de portugal.
é esta fúria de loucura mansa
que tudo alcança
sem alcançar.
que vai de céu em céu,
de mar em mar,
até nunca chegar.
e esta tentação de me encontrar
mais rico de amargura
nas pausas da ventura
de me procurar…
miguel torga, in “diário xii”