Archive for Julho 2009
um passo electro-arcáico

toma um dj/berimbau, um dj/percussion e dois músicos de digeridoo, mistura bem e engole só com água e vais ver que és transportado para um mundo novo de timbres electrónicos, misturados com sons aborígenes tribais, fáceis de provocar um estado de transe e relaxamento. os stepline project vão dar que falar, não tenhas dúvida.
de corpo e alma

agosto de 2009, III bineal do porto santo, mostra internacional de arte contemporânea, de corpo e alma
tenho procurado cenários que expressam o passar do tempo e as transformações que daí brotam, a virtude, e o belo do degradado, da decadência e do envelhecimento.
padrões que se criam de forma circunstancial num preciso momento, deixando rastos momentâneos, para de seguida mudar. outras, mais permanentes, onde a superfície rachada revela as camadas provocadas pelas vivências e pela força da natureza.
jogando com a ideia do ciclo da vida, do começo e do fim, e da fé, com a sua vertente fantástica do inferno e do paraíso, do diabo e da madonna.
tudo efémero.
tudo ilusório.
malin löfgren
merci, merce cunningham (1919-2009)

(foto: ursula striner)
faleceu o bailarino e coreógrafo merce cunningham. em 1996 tive a oportunidade e honra de me cruzar com o homem no copenhagen dance festival, num trabalho para a secção de cultura gränslöst (sem limites) o jornal göteborgs-posten (o correio de gotemburgo). um senhor esbelte, irrequieto apesar da sua idade já na altura, a cara enquadrada de caracóis despenteadas, uma voz tímida e mãos vividas com dedos finos e longos. um olhar vivaço e curioso. laid-back. parecia mais o avó de alguém com a sua camisa de padrões múltiplas, de castanho e turquesa. na altura tinha 77 anos.
parceiro de john cage durante muitos anos, desenvolveu técnicas de dança, inspiradas no budismo zen e na música do compositor experimentalista e criador de música de acaso, baseadas em contas aritméticas e nas teorias do etinstein sobre a não existência de pontos fixos no universo, mas ao mesmo tempo completamente livres e imprevisíveis. sequências complicadas e fisicamente exigentes, nos últimos anos trabalhadas no computador, quase impossíveis, para os bailarinos na companhia de merce cuningham, no entanto com um resultado espantoso.
falou naquele dia sobre a importância de seguir pela vida for com felxibilidade e com os sentidos abertos. disse na altura: “o movimento fascina-me desde sempre. esta vida tem sido uma aventura espantosa, uma possibilidade de descobrir coisas novas.”
merce cunningham tinha 90 anos.
uma questão de raízes…

a árvore asken yggdrasil, ou a árvore do mimer, o eixo do mundo, segundo a mitologia nórdica, a conexão entre humanos e deuses, gigantes e mortos, com três raízes, cada uma ligada a uma fonte, a do destino, a da sabedoria e a do conhecimento, descrita na obra eddan poética do século 14, recontada a história em 1973 pelo escritor e jornalista alf henrikson, imaginada por milhares de crianças através das sagas fantásticas sobre odin, hugin e munin (pensamento e memória), loki, ratatosk, nidhögg, o corcel de oito patas selipner e as valquírias que, segundo a lenda, guardam as frutas que respondem ás grande e importante perguntas sobre a humanidade.
ode à fotografia

em homenagem ao escultor e fotógrafo karl blossfeldt (1895-1932), uma fonte de inspiração para todos que procuram a beleza nos pormenores da mãe natureza.
dominio corporale

surgiu no ano passado a discussão sobre proibição de tatuagens e piercings em menores de 18 anos. em nome da segurança e da saúde pública. uma questão que mais facilmente poderia ser resolvida pela decisão da própria pessoa, ou em conversações com os pais, parece-nos. a liberdade do indivíduo deve prevalecer numa democracia. são agora levantadas questões sobre homossexuais e doação e sangue. um acto altruísta. um dever e não uma obrigação, que poderá ser acarinhado por todos. algo que uma pessoa faz para salvar outra vida, não a colocar em risco. com o leque vasta de evidências científicas que demonstram que a infecção do vírus da sida não escolhe nem estatuto social, nem sexo, nem idade ou religião, pergunta-se porquê distinguir este grupo e não só falar sobre o facto de que todas as pessoas com comportamento de risco podem ser infectadas, num país onde são os heterossexuais que neste momento disseminam mais a doença? será que não se trata de declarações infelizes e pouco claras? ou uma interpretação mal feita? esperemos que sim.