Archive for Outubro 2008

adoro motas. recomenda-se este livro sobre o assunto, e alguma filosofia.
voar

vivia eu com uma amiga no último andar de um prédio do século 19 em pleno centro da helsínquia, no parque do observatório. numa antiga clínica de dentista, repleta de instrumentos que já não estavam a ser usados há muito, uma cadeira datada dos anos 60 onde se sentavam os pacientes, prateleiras cheios de modelos de gesso de cada sorriso humano, com dentes tortos e nalguns casos horripilantes.
um autentico gabinete de horrores.
mas mesmo assim super aconchegado. disseram-nos que em temos quem tiham ficado lá a morar foi a escritora e artista tove jansson, criadora das historias do mumin.
o antigo forno a gás de facto não estava muito certinho e tivemos de verificar com fósforos se ainda estava a deixar alguma fuga de gás quando o cheiro ficava mais intenso.
uma banheira tão grande que cabiam lá dentro várias pessoas.
tapetes e paredes pretinhos e imundos, devido á poluição dos barcos no porto mesmo lá fora.
limpámos tudo. colocámos tecidos floridos nas janelas enormes, tipo atelier, para deixar a cor suavizar os luminosos mas frios quartos.
mês de janeiro e a neve a cair lá fora.
nem frigorífico tínhamos. portanto as janelas com um espaço amplo entre os vidros duplos teve de servir como tal. leite, pão daquele mesmo escuro e ácido dos países nórdicos e de leste, marmelada. queijo.
tínhamos um visitante muito curioso que pousava no outro lado da janela e olhava para nós enquanto batia as asas e fez barulho com as patas em cima do gelo.
uma gaivota.
muito curiosa. a ver televisão connosco, programas em russo e finlandês, no meio do frio. esfomeada.
bem, pelo menos até um certo dia.
cheirava muito a gás e a gente teve de arejar os quartos para não intoxicarmos. esquecemos momentaneamente de fechar a janela.
zás!
lá aproveitou o nosso amigo o bicho para sacar o nosso grande e único queijo que estava bem enrolado num plástico. flap, flap, flap, lá foi ela com o queijo na boca, a subir os céus, virar para não ter um crash contra as árvores. mas o queijo era pesado a mais. caiu. entre as pedras de granito do parque.
a gaivota ficou sem papa.
nós também.
sweet about me (gabriella cilmi)
verse 1:
ohh watching me, hanging by a string this time.
don’t easily, the climax of the perfect life.
ohh watching me, hanging by a string this time.
don’t easily, smile worth a hundred lies.
if there’s lessons to be learned, i’d rather get my jamming words in first so, tell you something that i’ve found, that the worlds a better place when it’s upside down boy.
if there’s lessons to be learned, i’d rather get my jamming words in first so, when your playing with desire, don’t come running to my place when it burns like fire boy. chorus:
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
verse 2:
blue, blue, blue, waves they crash as time goes by, so hard to catch. too, too smooth, ain’t all that, why don’t you ride my side of the tracks.
if there’s lessons to be learned, i’d rather get my jamming words in first so, tell you something that i’ve found, that the worlds a better place when it’s upside down boy.
if there’s lessons to be learned, i’d rather get my jamming words in first so, when your playing with desire, don’t come running to my place when it burns like fire boy.
chorus:
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
(fading out)
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh
sweet about me, nothing sweet about me, yehh

next life (woody allen)
in my next life i want to live my life backwards. you start out dead and get that out of the way. then you wake up in an old people’s home feeling better every day. you get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. you work for 40 years until you’re young enough to enjoy your retirement. you party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. you then go to primary school, you become a kid, you play. you have no responsibilities, you become a baby until you are born. and then you spend your last 9 months floating in luxurious spa-like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then voila! you finish off as an orgasm!
i rest my case.
a minha próxima vida (woody allen)
na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. começar morto para despachar logo esse assunto. depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois voila! acaba como um orgasmo!
foto

DE CORPO E ALMA NO CONVENTO DE CRISTO – TOMAR
Base PXO – Exposição itinerante e de preparação da III Bienal do Porto Santo
Mostra Internacional de Arte Contemporânea
CINEMA | DESIGN | ESCULTURA | FOTOGRAFIA | INSTALAÇÃO | PINTURA | VÍDEO
Inauguração > 1 de Novembro – 16 h.
A Bienal do Porto Santo tem como evento complementar, um projecto que se realiza essencialmente na zona de Lisboa, podendo também ter itinerância noutras localidades do país e estrangeiro, denominado “Base PXO”.
Este projecto transdisciplinar é constituído quer por exposições abrangendo todo o tipo de artes plásticas, visuais e mesmo de espectáculo, como também a realização de oficinas de formação, conferências e simpósios.
O Projecto «Base PXO» abrange várias formas de expressão, procurando quer pela contextualização quer pela dinâmica criar uma ligação conceptual entre diferentes áreas artísticas e culturais.
Em 2008, ano de interregno entre a segunda e terceira edições, o projecto “Base PXO” assentará numa dinâmica de preparação da III Bienal do Porto Santo, procurando obter um âmbito nacional (e internacional em termos de participações), sendo no entanto centralizado em Lisboa.
Todas as obras participantes são subordinadas ao tema: «De Corpo e Alma», e poderão estar patentes em 2009 na III Bienal do Porto Santo.
Argélia, Brasil, Bélgica, França, Israel, Moçambique, Portugal, Reino Unido, Suécia e Tailândia
Com: Acosta (Port.) Alexandre Brás (Port.), Amppawan Sasttong (Tailândia), Ana Amores (Port.), Ana Rojas (Brasil), André Monteiro Grillo (Port.), Carina Martins (Port.), Cátia Freitas (Port.), António Carlos Carvalho (Port.), CLIMA (Port.), Cristina Pina (Port.), Diana Policarpo (Port.), Duarte Sanches (Port.),Fabianny Deschamps (França), Fábio Marcelino (Port.), Fátima Spínola (Port.), Gina Flor (Port.), Inês Abrantes (Bélgica – Port.), Joana Araújo Espiñal (Port.), Joana Vasconcelos (Port.), João Costa (Port.), João Cáceres Costa (Port.), José Pancadas-Figeiredo (Port.), Jportela (Port.), Khawala Ibraheem (Israel), Malin Lofgren (Suécia), Manuel Pessôa-Lopes (Port.), Margarida Madeira (Port.), Miguel Brazete (Port.), Mónica Azevedo (Port.), Nádia Duvall (Argélia – Port.), Nelson Afonso (Port.), Neuza Antunes (Port.), Nuno Direitinho (Port.), Nuno Figueiredo (Port.), Nuno Fragata (Port.), Olivier Perriquet (França), Paul Scott Rayner (Reino Unido), Paulo Eurico Variz (Port.), Pedro Charters d’Azevedo (Port.), Pedro Frias dos Santos (Port.), Ricardo Almeida (Port.), Sandra Fernandes (Port.), Sérgio Gato (Port.), Sérgio Silva (Moçambique), Sílvia Lourenço (Port.), Sofia Caldas (Port.), Tânia Cravo (Port.), Tiago Baptista (Port.), Tiago Reis (Port.), AfricaMor, Grupo das Caldas, Joker Art Gallery e Secção de Fotografia – AAC

solidão por chico buarque
solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…isto é carência.solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…isto é saudade.solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…isto é equilíbrio.solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…isto é um princípio da natureza.solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…isto é circusntância.solidão é muito mais que isto.
solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
(francisco buarque de holanda)
merce

(foto: anna finke/new york times)
para o ano que vem faz 90 anos. e ainda dança. o coreografo merce cunningham continua a lutar contra o passar do tempo.
tive o prazer de o encontrar e oscultar em 1996 no dancing city, num evento que juntou rui horta e sascha waltz com grandezas como les ballets c. de la b. e saburo teshigawara.
um dos coreógrafos mais conceituados de todos os tempos e o inventor de um estilo não representativo de dança, com padrões de movimentos complicadíssimos, durante mutios anos realizados ao som da música do partner john cage.
já na altura estava longe dos movimentos rápidos e elegantes de outrora. um bocado para o stiff e menos articulado. mas eloquente e com um brilho nos olhos de um jovem rapaz dentro de uma carapaça de um velhote.
foi uma honra.