esculpir com as sombras

no momento entre luz e escuridão, o fotógrafo william ropp domina a técnica, esculpindo as suas imagens, numa criação suave e destorcida que lembra o francis bacon.
à descoberta, abrindo a pestana

“the real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes.”
(marcel proust, 1871 – 1922)
tremeu a terra

atingir a magnitude de 6.0 na escala richter sente-se. o edifício foi percorrido por ondas sísmicas esta noite. tremor de terra. com epicentro no mar, a 185 Km de faro. seguido por umas quantas réplicas. acorda uma pessoa, literalmente. com o susto ficamos a pensar um bocadinho nas nossas vidas. se calhar é preciso um abalo destes, de vez em quando, para acordar o freguês, para o tirar do série, espantar as suas paranóias sejam elas sobre a importância do futebol, sobre alegadas histórias de corrupção ou sobre o perigo da vacina contra a gripe a, e fazê-lo despertar para a realidade. não é nada agradável, complica o sistema nervoso dos mais sensíveis. ficámos felizmente só shaken, but not stirred. desta vez.
um obrigado à defesa de faro
moveu-se o solo e as visitam na blogosfera dispararam, imagoverbalis no 12º lugar entre os top posts no dia 17.12.2009. agradecemos.
aqui há gato…

passou um ano desde que foi resgatada a gatinha loppan (a pulga) da rua em faro. uma sobrevivente extraordinária que já vivi mais e alguma coisa. entrou em casa, tentou marcar o seu território, mas a siamesa que já lá vivia não a deixava. houve tentativas de arranjar uma boa casa e a gata foi quase entregue a uma quinta para animais em loulé(quatro tentativas, pois a organização daquela gente era de tal maneira…), mas a dona desistiu. não teve coragem. foi deixada na casa do campo onde viveu um tempinho dentro de uma alfarrobeira oca, antes de ser adoptada pela vizinha que cuida muito bem dela. foi mãe de cinco filhos. aquele (na foto) que continua com ela, repete tal e qual as brincadeiras, as maluquices e a garra que a mãe tem, independente, meigo e inteligente. chamado tareco, já tem o tamanho da mãe, com três meses de idade. impressiona. será que o pai dele é um tigre?
limite mágico

não acreditamos muito em numerologia, mas às vezes os algarismos dizem-nos algo de facto. neste mundo de comunicação feita através da linguagem binária, chegámos a dez mil visitas. obrigada e voltem sempre.
postura

“somos todos culpados de um crime, do grande crime de não viver a vida na sua totalidade. (…) ninguém ousou ainda, verdadeiramente, avaliar as potencialidades existentes em nós. compreenderemos que são infinitas no dia em que admitirmos, para connosco, que a imaginação é tudo. a imaginação é a voz da ousadia.” (henry miller, sexus)
haruki murakami

uma boa literatura costuma deixar traços, marca-nos, leva-nos para outros mundos e abre-nos a mente, proporciona uma escapadela. aconteceu-me, e de forma intensíssima, com o livro kafka à beira-mar do autor japonês haruki murakami.
as palavras dele envolveram-me de tal forma que entrei numa espécie de transe – não consegui deixar o livro um minuto. fiz uma meta-leitura, sem conseguir pregar olho, quase sem me aperceber disso encontrei-me dentro do livro e da história, vivi a história ao mesmo tempo que estava a descascar cenouras ou a correr entre reuniões de trabalho. absorvente, intenso, intrigante.
e no meio da história entram personalidades e, o que deliciou mais, gatos – o animal que mais aprecio e que sem comparação condiz melhor com a minha personalidade.
meigos. de carácter forte. de inteligência elevada. brincalhões. pouco quietos enquanto acordados. adoram um bom descanso. desenrascados mas também exigentes qb. individualistas.
nem o gato doméstico (felis sylvestris catus), que recebeu o nome do meu conterrâneo carolus linnaeus na sua obra systema naturae, se deixa domesticar a 100%.
são estas coisas que a escrita nos faz. reflectir, desenvolver, e a o longo do caminho descobrir coisas acerca de nós próprios que, independentemente da idade, podem surgir como novidades. aprender é viver.
recomenda-se.
smile

celebra-se hoje o dia mundial do sorriso. esta figura linda é a minha gata kira, a espreguiçar-se depois de uma longa soneca ao fim da tarde. contente!
o sorriso que dás volta para ti mesmo (provérbio indiano)
“would you tell me, please, which way i ought to go from here?” “that depends a good deal on where you want to get to,” said the cat. “i don’t much care where –” said alice. “then it doesn’t matter which way you go,” said the cat. “– so long as I get somewhere,” alice added as an explanation. “oh, you’re sure to do that,” said the cat, “if you only walk long enough.”
(alice in wonderland, lewis carrol)
sabedoria

From what’s dear is born grief,
from what’s dear is born fear.
For one freed from what’s dear
there’s no grief
— so how fear?
From what’s loved is born grief,
from what’s loved is born fear.
For one freed from what’s loved
there’s no grief
— so how fear?
From delight is born grief,
from delight is born fear.
For one freed from delight
there’s no grief
— so how fear?
From sensuality is born grief,
from sensuality is born fear.
For one freed from sensuality
there’s no grief
— so how fear?
From craving is born grief,
from craving is born fear.
For one freed from craving
there’s no grief
— so how fear?
(piyavagga – dhammpada)
infância

às vezes faz-nos bem voltarmos ao passado, lembrando a infância. este gato mexicano foi me oferecido pela minha madrinha que vivia na helsínquia toda a sua vida adulta, emigrada do país de origem, como eu.
uma das familiares mais espirituais, praticante de ioga, intelectual, devoradora de literatura, viajante ferrenha deste mundo fora, rebelde, e grande defensora dos direitos da mulher.
influenciou-me muito, proporcionou-me passagens inesquecíveis na casa dela e do marido no arquipélago da capital, noites de fortes trovoadas na varanda da antiga casa em madeira, passeios de barco, apanha de arando, iogurte natural daquele mais ácido da europa de leste com açúcar, chá, chá, chá em taças minúsculas.
uma querida que com a idade se tornou muito esquecida e pensava que estava novamente na II guerra mundial com ameaças da rússia.
num momento de confusão ela apoia-se nele, o professor de económica nacional, sem o mínimo de preocupação com o seu aspecto mas extremamente exigente intelectualmente, lúcido e jovem apesar das marcas do tempo, na cozinha no sandholmen, o lugar que sempre foi e sempre será o meu paraíso. ternura in persona.
só tive tempo de disparar quando de repente ficaram agarrados um ao outro, nem sabia se tinha conseguido apanhar o olhar intenso dele, era nos tempos dos rolos, e a máquina era emprestada e funcionava mal.
encontrei o negativo há um tempo atrás, muito afectado por humidade, mas lá consegui trabalhá-lo. foi um momento muito precioso para mim. já não estão cá mas guardo os no meu coração para sempre.
minas

mina de são domingos. alentejo. portugal. fevereiro de 2008. o sol é abrasador. levanta-se uma ligeira poeira, desinquietada pelos nossos passos que atravessam a árida paisagem mineira, de aspecto quase lunar, remetendo-nos a fantasia para o cenário apocalíptico dos filmes sobre desastres ecológicos.
impressionados pelo silêncio deste lugar, onde a azáfama da indústria mineira dominou durante mais de um século, deixamo-nos embalar ao som da escória estaladiça que se desfaz debaixo dos nossos pés.
a vegetação, outrora eficazmente erradicada pela indústria mineira, renasce agora à beira do antigo caminho-de-ferro e nas colinas à sua volta, estendendo-se teimosa e lutadora ao longo das imensas áreas, campos e escombreiras interrompidas por lagoas de águas ácidas com cores saturadas. aqui e acolá deparamo-nos com montões de enxofre, onde pegadas de gado ficaram esculpidas pela humidade.
os ventos de sabor metalizado misturam-se, após uma chuva miudinha, com o perfume do eucalipto, da urze e da esteva em flor.
éramos cerca de 30 pessoas, entre miúdos e graúdos, que chegámos ao nosso destino das mina de são domingos para três dias de fotografias, de tertúlias e convívio. saímos de lá mais descontraídos e mais alegres. mais sábios. mais amigos. com histórias para contar. com fotografias para partilhar. mas também mais vividos e mais humildes por termos ficado a conhecer o destino das pessoas que viviam em condições insalubres, que trabalhavam em condições dificílimas e inumanas e lutavam pela sobrevivência neste ponto do país, a seu tempo de grande importância económica nacional e internacional no ramo mineiro.
deslumbra, enfeitiça e inspira este esplêndido recanto alentejano que aqui retratamos com carinho, à nossa maneira.(texto para exposição de fotografia com a associação ¼ escuro no centro cultural de antónio aleixo em vila real de santo antónio)
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arrancaram-me o coração…
…início demasiado dramático, perguntou ela a si própria enquanto estava a tentar colocar as suas ideias no papel a preto-e-branco…
…mas era uma simples constatação …foi mesmo esse vazio que a tinha engolido na altura…
…não o tinha conseguido encontrar durante muito tempo…o coração…tinha desaparecido…e sem deixar rasto, ainda lhe doía…
…a procura de uma nova vida tinha sido interrompida…sem aviso…
…e lá se foi a bomba da vida…a razão de ser…a força para continuar…
…ela sabia que não era rosa que se cheire…e que as dúvidas tinham levado tempo a mais…
…a paixão surgiu de forma repentina, as hormonas precisavam de se libertar, e para quem sempre viveu pela razão das suas emoções, não existem limites nem pachorra…
…repitam-se as frases…a musa torna-se chata e é substituída…beijos mil voam para outros lábios…encontram-se outros anjos…é só o amor a mudar de caras…descartáveis…
…qual o espanto, então, perguntou-se…podias ter previsto o cenário, não é…
…pois, disse-te que não era feito de aço…mostrou-se impaciente quando sempre voltaste ao teu porto de abrigo que tantas vezes teimaste a dizer que te atormentava demais…onde já não podias mais, mas onde ficaste na mesma…
…o mais fácil foi culpar a outra…viver a convicção de que realmente foi enganada…do início até ao fim…uma dor a moer no fundo do coração que já não era…
…até um dia…lá estava ele…com marcas cruzadas, encravadas por pneus gastos na estrada, por palavras nunca pronunciadas e por repostas nunca obtidas…queimaduras de baetas apagadas, de saltos em massa, de letras que chegavam para uma geração, de promessas sem fim e de silêncio…
…ela teve de o apanhar no lixo…
…apesar do estado, conseguiu o trazer, inteiro…
…deitou-o na mesa da cozinha…limpou-o de restos que não lhe pertencia…foi buscar uns rolos coloridos comprados no chinês e envolveu-o em fita-cola…material barato, tudo bem, sensível ao calor e com o risco de se degenerar com o tempo, ela já sabia disso…há sempre mais rolos, pensou ela…
…ficou torto…nunca havia de ser igual a ele próprio…mas o passar do tempo é mesmo assim, ela se confortou…digamos que poderão passar por rugas…de sabedoria …
…colocou-o no seu lugar…
cair e levantar

…do 7º andar, disseste…caíste, mas estás bem?…nem é a primeira vez que alguém cai daí…chamam-na «o 7º céu», podes imaginar porque…é óbvio, já sabias… quem é que não sabe…
…pois, exacto, a poluição da cidade, não é…quem está lá em cima não vê a rua, só vê o céu azul, imenso, perde-se com a beleza…e quem está aqui em baixo, só vê as nuvens, e mais nada…bem, os raios de sol passam de vez em quando…
…caíste da janela?…olha, acontece…este prédio tem tantos anos, e mesmo assim ninguém se propôs instalar um elevador, pois não, que seria uma solução óbvia, e que também evitava muitos problemas…
… é que leva-se tanto tempo para lá chegar…à sério, conheço casos que levaram uma vida…ou já lá foram, subiram ou num instante, ou a muito custo todas as escadas, e quando finalmente lá chegaram ou a porta não abria, ou repensaram o assunto, ou assustaram-se com o que encontraram, ou até ficaram…estes últimos são casos raros…
…pois é…naturalmente que ninguém suporta estar na cave, nem no rés-do-chão, por amor de deus, com esta humidade, com este frio e esta escuridão…não…melhor é subir nesta vida, não concordas…tentar, pelo menos…
…já no 1º encontram-se pessoas muito simpáticas, vizinhos…dão um certo conforto, esquecemos da solidão…uma conversa aqui e acolá…troca de palavras que confortam, mesmo durante um período escasso…
…agora, no 5º vive uma pessoa amiga…sabes, uma daquelas com quem existe aquela confiança que se tem com pouca gente…almoços, jantares, segredos, um abraço quando é preciso, um telefonema na hora certa…uma daquelas pessoas que te aceita como és, sabes, sem grandes dramas…e sem confusões…
…levá-la ao 7º?…parece-me um passo arriscado…temos todos as nossas experiências…já lá estive…a outra pessoa também…ao mesmo tempo?… quer-se tanta emoção…mistérios, curiosidades, brincadeiras…um toque…um olhar…sentir cumplicidade…uma sensação tão forte que dói…aquele desejo de fazer parar o que temos de bom, mas que acaba por se estragar, porque temos medo ou porque tinha de ser…ou por pura incapacidade…ou se calhar porque o amor não existe…nem a amizade…se calhar porque vivemos melhor envolvidos numa ilusão e queremos tanto e acabamos sempre por nos desiludir…
…quem criou aquele andar deve ter sido ilusionista a trabalhar como arquitecto part time….é que não foi bem feito, não pode ter sido um profissional…o espaço desmesuradamente grande …a altura do tecto…o tamanho das janelas…tudo megalómano…sem nexo…sem o real…
…se calhar até devia-se fechar as escadas que lá chegam?…fazer com que as pessoas não subam, fazê-las perceber que é no meio do prédio é que se está bem…evitar que aquele elevador seja instalado…ou pelo menos fechar a saída para o tecto, colocar fechaduras nas janelas…não concordas?
…mesmo assim…já sonhei com a possibilidade…se eu pudesse, só por umas horas lá ir, levando-a comigo… e depois, se for preciso, descermos as escadas de incêndio…juntos…sem ninguém se magoar… ficávamos a ver os raios de sol penetrarem as nuvens…
zé

há dez anos que o prémio nobel de literatura foi atribuído ao josé saramago em estocolmo. tinha eu já estado há algum tempo a tentar obter uma entrevista com o escritor. veio a faro para apresentar uma nova obra, já não me lembro qual, em 1997 numa livraria da cidade, estava eu, grávida e bastante pesada, á espera do senhor durante muito tempo enquanto os leitores presentes esclareceram as suas dúvidas com o autor famoso.
quando foi a minha vez, o septuagenário já não estava muito para aí virado, pediu desculpa porque já não se encontrava disposto para ser entrevistado, estava cansado. e eu, com uma promessa já feita para um dos jornais suecos para quais trabalhava na altura. fiquei ligeiramente decepcionada, mas pelo menos com o endereço do saramago da casa da ilha de lanzarote.
passaram os meses, nasceu o meu filho e aproximava-se de novo o mês dos nóbeis, outubro. pelo sim, pelo não, e já que o nome do josé saramago vinha sempre ao baile em termos de potencial nobel a literatura escrevi-lhe uma carta com as minhas perguntas e dúvidas. e ele respondeu, agradecendo o meu interesse.
anunciaram que, e de facto esta vez não eram só rumores, o homem ia ser laureado pelos meus congéneres escandinavos.
peguei no telefone, procurei falar com o escritor que sabia se encontrava a residir no hotel altis em lisboa. falei com a pilar, a sua esposa deliciosamente simpática e dócil que lamentava mas o marido estava a dormir, se não me importasse de voltar a ligar um pouco mais tarde.
e voltei a ligar.
desta vez falei com o próprio. simpático e sim senhora, claro que se recordava de mim. combinamos hora e data da entrevista. fui à lisboa, deixei o filhote em casa dos sogros, e embarquei com o marido que tirava fotos para me encontrar com o mestre das frases compridas e somente interrompidas por vírgulas na obra literária do memorial do convento que me tanto tinha fascinado.
tinha meia hora. a conversa prolongou-se por hora e meia. intrigante, espantosa, sábia, ás vezes demasiadamente profunda, mas ao tudo interessantíssima. um verdadeiro privilégio, que me valeu ser uma das únicas jornalistas suecas a conseguir uma entrevista antes da própria entrega dos prémios, com uma página inteira num dos nacionais.
continuo a ler saramago. muito grata pelos seus textos e pelas palavras partilhadas comigo. o próximo livre será o ensaio sobre a cegueira, e já agora vou ver o filme do meirelles. o homem adaptou-se aos medias de hoje. recomenda-se o seu blog.
http://caderno.josesaramago.org/
nas calmas

comprei há anos duas pulseiras de um material natural que me parecia ser sementes. leves. agradavelmente perfumados. a transmitir a minha pessoa um grande bem estar. recentemente adquiri ainda brincos a condizer com o resto.
curiosa como sou, fui à procura de informação para perceber que tipo de é que estava a usar para me enfeitar. eis a reposta: bagas rudraksha.
aparentemente material divino e até chamados “as lágrimas do lorde siva”, segundo dizem os hidus e budistas, usados pelos yogis da india e dos himalayas desde há milhares de anos para “manter a saúde e para ganhar self empowerment e uma vida sem receios no caminho em direcção de iluminação e liberdade”.
estes caroços, do interior de uma baga azul da árvore elaeocarpus ganitrus, são utilizados para curar maleitas e fazem parte das malas (guirlandas sagradas, tipo de terço) utilizadas nas orações e mantras tanto de hindus como de budistas e que deverão juntar 108 destas peças.
palavras suaves

frihet, fred och en grodd av hopp, horisontens heliga hägring,
värmen värnar om livets lopp, lev för lyckans belägring
ou
liberdade, paz e a esperança a brotar, a santa miragem do horizonte,
o calor que envolve o ciclo da vida, vive para a conquistar
(texto da minha irmã como prenda para mim)
(fotos: ribbersborgs kallbadhus, malmö)
apesar de ser de um signo da terra (virgem), adoro movimentar-me na água. é um dos meus vícios. nadar. como a dory no à procura do nemo diz, de forma sábia: continua nadar, continua nadar…traz alegria. repouso. calma.
benéfico para o corpo, e para a mente. dizem que activa a memória. e ,de facto, lá debaixo do azul, no mar salgado ou na piscina com cloro, nascem tanto histórias como textos que até serviriam para rap, mas que não vou revelar aqui.
mas, confesso, nadar não é para todas as águas nem para toas as ocasiões.
por exemplo, depois da sauna. ou melhor dito, nos intervalos entre o refrescar e o entrar no ambiente quente de novo.
está dito. outro vício. banho de inverno. quando tiver a oportunidade, tumba, e lá vou eu para a sauna, dar um mergulho no mar, no meio do inverno, com um grau positivo na água e os flocos de neve a caírem à minha volta. com uma vista linda para os lados da copenhaga e companhia simpática. mulheres nuas e relaxadas. tudo extremamente natural.
um ritual iniciado aos meus 12-13 anos na finlândia, no verão mas numa água bem fresquinha. pois há quem diga que somos malucos e que faz mal ao organismo. no entanto também há quem diga que ajuda “a hidratação da pele e desobstrução dos poros, o combate ao stress e à hipertensão”, além de ter o efeito de que “relaxa a musculatura, limpa e desobstrui as vias respiratórias, desintoxica e expulsa as impurezas do organismo e combate doenças do sistema respiratório”.
só coisas positivas. não há quem resiste. revitaliza!
fabuloso

foto: andrea mohin/the new york times
bill t jones está de novo no palco, desta vez no broadway com “the quarreling pair”, como director e coreógrafo, naturalmente através da sua companhia que criou com o falecido companheiro arnie zane.
sempre na berra, controverso, atrevido, testando os limites, desafiando um mundo de preconceitos, o homem continua mais activo do que nunca e muito bem.
lembro-me quando estive na danci’n city em copenhaga em 1996, feliz e contente a dar os meus primeiros passos enquanto jornalista num dos maiores jornais na suécia, göteborgs-posten, e estava prevista uma entrevista com esta lenda viva.
fui ao encontro do agente dele, juntamente com a minha colega fotógrafa, perto do teatro nacional de copenhaga, e juntamente com uma data de outros colegas a darem cobertura ao evento cultural.
esperámos. esperámos. esperámos. pois, e nada. anunciaram que o bill t jones se encontrava indisposto, com uma constipação e “lamentamos mas não vai ser possível dar a entrevista”. pânico no interior da jovem jornalista, que estava à espera de uma conversa interessantíssima com o grande bailarino e coreógrafo, que estava prestes a realizar uma estreia mundial na capital dinamarquesa com uma obra partindo das canções de jaques brel, a viver com vih, já na altura há mais de 10 anos, e um dos grandes opositores de tudo que era tabus e provocador – racismo, sexualidade, sida, morte. fodido!
fui ver a peça. adorei. personagens altas, baixas, louras, morenas, magras, gordas, carecas, cabeludas, uma mescla de todo o tipo de homem e mulher, tal como na vida real e não como nos mundos idealizados por mentes restringidas. acabou. aplaudidos em pé com rentrées variadíssimas.
para tentar salvar a situação subiu o palco e fui backstage com a minha colega. encontrei o grande homem, cansado mas feliz e muito amável. expliquei-lhe a situação e começámos a conversa. só para sermos interrompidos rapidamente pelo agente que o afastou ao pé de mim e disse que “não pode ser” e “o sr bill t jones precisa de descansar”.
pois, o que fazer? voltei ao meu quarto de hotel, frustrada, mas contente na mesma por ter tentado. expliquei a situação a minha redactora e ela entendeu. houve outra abordagem no texto.
só respeitando os outros conseguimos o mesmo tratamento. por isso, continuei tranquila.
cinema

a região do algarve vai ser cenário da rodagem de parte de uma produção sueca para cinema e tv, baseada no best-seller “millenium triology” do escritor stieg larsson (1954-2004), segundo noticia a algarve film comission.
a rodagem da obra no algarve, produzida pela produtora sueca yellow bird, contará com a “presença do realizador sueco daniel alfredsson e parte do elenco, protagonizado por michael nyqvist e noomi norén, que interpretam respectivamente o jornalista mikael blomkvist e a hacker lisbet salander.
a estreia do filme nos cinemas está já agendada para março de 2009 nos países nórdicos. está também assegurada a emissão nas televisões da suécia (svt), dinamarca (dr), noruega (tv2) e alemanha (zdf).
stieg larsson foi jornalista e editor responsável da revista “expo”, tendo sido um dos maiores peritos mundiais no estudo de movimentos antidemocráticos, de extrema-direita e nazis. morreu subitamente, pouco tempo depois de entregar à sua editora sueca os três volumes da trilogia millennium e não viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se tornou, com mais de dois milhões de exemplares vendidos só na suécia e traduções em cerca de 30 países.
a rodagem no algarve está prevista para os dias 23 a 28 de outubro, na zona barlavento, estando o projecto a ser acompanhado pela southwest productions, produtora nacional que articulou a captação da produção para o algarve.”
sidharta

(…) olhou afectuosamente para a água, para o seu verde translúcido, para as linhas cristalinas dos seus contornos cheios de segredos. viu pérolas cintilantes emergirem do fundo, bolhas de ar flutuando serenamente no espelho de água, reflectindo o azul do céu. o rio olhava para ele com mil olhos, verdes, brancos, cristalinos, azuis celestes. como ele amava esta água, como ela o fascinava, quão agradecido lhe estava! ouvia a voz falar-lhe no seu coração, desperta outra vez, dizendo-lhe: ama esta água! fica junto a ela! aprende com ela! sim, ele queria aprender com ela, queria escutá-la. parecia-lhe que quem compreendesse esta água e os seus segredos compreenderia muitas outras coisas, muitos segredos, todos os segredos.
(siddharta – um poema indiano, herman hesse)
mercy…porquê?
(mercy – duffy)
Yeah, yeah, yeah
I love you
But I gotta stay true
My moral’s got me on my knees
I’m begging please
Stop playing games
I don’t know what this is
But you got me good
Just like you knew you would
I don’t know what you do
But you do it well
I’m under your spell
You got me begging you for mercy
Why won’t you release me
You got me begging you for mercy
Why won’t you release me
I said you better release me
Now you think that I
Will be some thing on the side
But you got to understand
That I need a man
Who can take my hand, yes I do
I don’t know what this is
But you got me good
Just like you knew you would
I don’t know what you do
But you do it well
I’m under your spell
You got me begging you for mercy
Why won’t you release me
You got me begging you for mercy
Why won’t you release me
I said you better release me
I’m begging you for mercy
Just why won’t you release me
I’m begging you for mercy
You got me begging
You got me begging
You got me begging
Mercy
Why won’t you release me
I’m begging you for mercy
Why wont you release me
You got me begging you for mercy
I’m begging you for mercy
I’m begging you for mercy
I’m begging you for mercy
I’m begging you for mercy
Why won’t you release me
Bring it on
Mercy
Begging you for mercy
You got me begging
Down on my knees
I said mercy
Begging you for mercy
You got me begging
lunáticos

(ilustração: helena zmatlikova)
lua cheia. e estava a sentir-se inquieta de novo. dormia mal. a luz intensa entreva nos buracos das persianas e iluminava lhe o quarto. um nervosismo miúdinho a percorrer o seu organismo todo. à beira de chorar. de dar um berro. de se irritar com a mínima das coisas mínimas…
é claro que a lua nos influencia. se consegue mudar as marés, então imaginem o efeito que tem no próprio ser humano. não vamos tão longe a dizer que é possível transformar-se em lobisomem. mas que tem efeito, tem.
conheço muitas pessoas que não escapam a essa espécie de magnetismo que a lua cheia tem em nós. sem querer mudam. tornam-se menos tolerantes. andam stressados. ficam mais sensíveis e mais excitados em todos os sentidos. e deixam-se provocar por atitudes e acontecimentos que no dia-a-dia não teriam qualquer importância.
são boas pessoas. com uma vida invulgar, repleta de sensações e de sentimentos que outros se calhar não têm o privilégio de viver. vêem o que os outros não descobrem. sempre antentos. sempre a pensar e a reflectir. a absorver impressões. sofridos. mas cheios de vida e de energia. intrigam. fáceis de amar.
comunicare

…faltavam-lhe palavras. não era nada habitual. comunicava imenso.
a toda hora. diariamente. dias úteis. feriados.
sempre a exprimir ideias, lógicas, pensamentos, mais ou menos profundos.
é claro que foi bebendo a fontes que lhe inspirava.
numa procura sem fim de impressões.
para sentir o pulso desta coisa estranha chamada vida.
numa de não parar porque parar e estagnar é morrer.
num stress constante.
afligia-lhe o momento repentino de silêncio, de paragem.
como se o mundo deixasse de existir.
como se o sossego lhe sufocasse.
precisava que lhe ouvissem.
precisava que não caísse no esquecimento.
a única coisa que conseguiu fazer – dar um berro.
não quebra, mesmo

a flor de lotus, segundo os chineses, representa a capacidade criativa e a pureza em ambientes adversos, inspirando poetas a escrever sobre a luta humana para vencer as dificuldades e mostrar ao mundo o nosso melhor lado não importam quais as circunstâncias difíceis, e tal como a flor de lotus fazer emergir beleza e luz do fundo escuro do poço…
“the lotus flower’ stalk is easy to bend in two, but is very hard to break because of its many strong sinuous fibres. poets use this to represent a close unbreakable relationship between two lovers or the members within a family, showing that no matter how far away they might live nothing can really separate them in heart”
“in buddhism the lotus flower symbolizes faithfulness. the golden lotus that is mentioned in buddhist sutras has two meanings, one is the symbol for the achievement of enlightenment and the other points towards a real flower which is beyond our normal perception”
“a reminder of the miracle of beauty, light and life”
daí a tatuagem…para nunca esquecer

chamavam-lhe “the bitch against the stream” – barbro alving (bang) – uma das jornalistas suecas mais corajosas ao longo dos tempos, sempre a lutar pela igualdade da mulher, pela paz, pelos direitos humanos e pelo direito de expressão.
foi presa. escreveu um diário, mais tarde publicado, para suportar o tempo na cadeia, mas também para relatar aos leitores e ao público o (mal)funcionamento do sistema prisional. denúnciar injustiças. por a prova o sistema.
uma grande escritora. mãe, humanista, feminista, lésbica.
“bang was the most famous female war correspondent of all time. she had her breakthrough reporting with the os in hitler’s berlin, 1936. she is internationally well-known and recognized as one of only two female war correspondents during the spanish civil war. bang’s development from a small inebriate reporter in stockholm to being a world-class journalist is an excellent example for the potential for development by any career oriented women” (film review new york times “bang och världshistorien” – filme da maj wechselmann 2008)
sem dúvida alguma uma role model…
aqui fora na rua

estava eu a tentar pregar olho. tinha estado numa formação sobre comunicação e saúde e estava bem a precisar de dormir após horas e horas a concentrar-me no sotaque brasileiro do formador de rio de janeiro. mês de abril. cidade: porto.
estava numa residência em pleno centro portuense com o quarto virado para a rua. com a movimentação normal de uma cidade razoavelmente grande, perto da estação de comboios, do rivoli e da câmara municipal.
quase a adormecer, a cantiga insistente começou. primeiro quase não dei por ela. mas com a a alteração constante das vozes que a produzia não tive sossego. pois parecia-me uma data de pessoas a festejarem mesmo debaixo da minha janela no 2º andar.
fui espreitar através das persianas. estava um homem sentado no chão, no outro lado da rua, debaixo das arcadas de um dos bancos que nos dizem que nos emprestam dinheiro para facilitar a nossa vida, só para nos sugar e esvaziar o bolso depois. agarrado a uma garrafa de vinho e a berrar uma melodia sem início, meio ou fim. ele é que fazia as vozes todas.
estava já a pingar bastante do céu e o homem lá continuava e tentar alegrar-se durante a noite fria e húmida. se calhar sem se aperceber do barulho que produzia e talvez até inconsciente de que a canção mais parecia um remix do pavarotti e do crazy frog.
perto das três da manhã, uma das equipas que dão apoio às pessoas menos afortunadas e que vivem na rua passou-lhe uma tupperware com comida e uma manta para o aquecer. só assim é que acabou de cantar. aconchegado. mesmo ao lado de um dos símbolos do capitalismo.
noticiaram hoje que com a crise financeira, as organizações de solidariedade estão também a receber menos fundos. as pessoas em geral, além das que já antes tinham pouco dinheiro e não podiam dar, ou das que não queriam sustentar esta pária (chamados injustamente por alguns) de sem-abrigos que escolheram (?) viver fora do sistema, deixaram de estender a mão a quem já está com a mão estendida, à procura de ajuda.
há muitos anos um político na suécia disse que “um dia vamos viver num buraco, e andar de bicicleta para o trabalho, só com uma sandes no bolso”, meio a brincar. hoje parece que esses dias já chegaram a nós. nós, afortunados. agora imagina o resto das pessoas…
anjinhos

em criança, coleccionava muita coisa. entre outras, imagens de anjos. achei os lindos, sobretudo aqueles só com a cabeça, com cabelo encaracolado, por cima das asas que estavam presas numa grande fila. e numa inocência infantil acreditava-se também na existência deles.
incutiam segurança, algo de belo e reconfortante. a pensar que alguém nos vigia, que nos protege e que nos assegura nos momentos mais difíceis.
pois claro, não existem…mas, mesmo assim há situações que passamos em que gostaríamos que fossem mesmo verdadeiros. sem qualquer conotação religiosa, diga-se de passagem.
recomenda-se o filme angels in america – pequeno grande série com mensagens importantes, onde esses seres fantásticos também têm o seu papel.
quem sabe, se desejamos suficientemente que nos acompanhem para reencontrarmos o sentido e acabarmos com a solidão, se calhar até nos fazem esse favor…
“and through it all she offers me protection
a lot of love and affection
whether i’m right or wrong
and down the waterfall
wherever it may take me
i know that life wont break me
when i come to call she wont forsake me
i’m loving angels instead”
(robbie williams)
merce

(foto: anna finke/new york times)
para o ano que vem faz 90 anos. e ainda dança. o coreografo merce cunningham continua a lutar contra o passar do tempo.
tive o prazer de o encontrar e oscultar em 1996 no dancing city, num evento que juntou rui horta e sascha waltz com grandezas como les ballets c. de la b. e saburo teshigawara.
um dos coreógrafos mais conceituados de todos os tempos e o inventor de um estilo não representativo de dança, com padrões de movimentos complicadíssimos, durante mutios anos realizados ao som da música do partner john cage.
já na altura estava longe dos movimentos rápidos e elegantes de outrora. um bocado para o stiff e menos articulado. mas eloquente e com um brilho nos olhos de um jovem rapaz dentro de uma carapaça de um velhote.
foi uma honra.

solidão por chico buarque
solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…isto é carência.solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…isto é saudade.solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…isto é equilíbrio.solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…isto é um princípio da natureza.solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…isto é circusntância.solidão é muito mais que isto.
solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.
(francisco buarque de holanda)
foto

DE CORPO E ALMA NO CONVENTO DE CRISTO – TOMAR
Base PXO – Exposição itinerante e de preparação da III Bienal do Porto Santo
Mostra Internacional de Arte Contemporânea
CINEMA | DESIGN | ESCULTURA | FOTOGRAFIA | INSTALAÇÃO | PINTURA | VÍDEO
Inauguração > 1 de Novembro – 16 h.
A Bienal do Porto Santo tem como evento complementar, um projecto que se realiza essencialmente na zona de Lisboa, podendo também ter itinerância noutras localidades do país e estrangeiro, denominado “Base PXO”.
Este projecto transdisciplinar é constituído quer por exposições abrangendo todo o tipo de artes plásticas, visuais e mesmo de espectáculo, como também a realização de oficinas de formação, conferências e simpósios.
O Projecto «Base PXO» abrange várias formas de expressão, procurando quer pela contextualização quer pela dinâmica criar uma ligação conceptual entre diferentes áreas artísticas e culturais.
Em 2008, ano de interregno entre a segunda e terceira edições, o projecto “Base PXO” assentará numa dinâmica de preparação da III Bienal do Porto Santo, procurando obter um âmbito nacional (e internacional em termos de participações), sendo no entanto centralizado em Lisboa.
Todas as obras participantes são subordinadas ao tema: «De Corpo e Alma», e poderão estar patentes em 2009 na III Bienal do Porto Santo.
Argélia, Brasil, Bélgica, França, Israel, Moçambique, Portugal, Reino Unido, Suécia e Tailândia
Com: Acosta (Port.) Alexandre Brás (Port.), Amppawan Sasttong (Tailândia), Ana Amores (Port.), Ana Rojas (Brasil), André Monteiro Grillo (Port.), Carina Martins (Port.), Cátia Freitas (Port.), António Carlos Carvalho (Port.), CLIMA (Port.), Cristina Pina (Port.), Diana Policarpo (Port.), Duarte Sanches (Port.),Fabianny Deschamps (França), Fábio Marcelino (Port.), Fátima Spínola (Port.), Gina Flor (Port.), Inês Abrantes (Bélgica – Port.), Joana Araújo Espiñal (Port.), Joana Vasconcelos (Port.), João Costa (Port.), João Cáceres Costa (Port.), José Pancadas-Figeiredo (Port.), Jportela (Port.), Khawala Ibraheem (Israel), Malin Lofgren (Suécia), Manuel Pessôa-Lopes (Port.), Margarida Madeira (Port.), Miguel Brazete (Port.), Mónica Azevedo (Port.), Nádia Duvall (Argélia – Port.), Nelson Afonso (Port.), Neuza Antunes (Port.), Nuno Direitinho (Port.), Nuno Figueiredo (Port.), Nuno Fragata (Port.), Olivier Perriquet (França), Paul Scott Rayner (Reino Unido), Paulo Eurico Variz (Port.), Pedro Charters d’Azevedo (Port.), Pedro Frias dos Santos (Port.), Ricardo Almeida (Port.), Sandra Fernandes (Port.), Sérgio Gato (Port.), Sérgio Silva (Moçambique), Sílvia Lourenço (Port.), Sofia Caldas (Port.), Tânia Cravo (Port.), Tiago Baptista (Port.), Tiago Reis (Port.), AfricaMor, Grupo das Caldas, Joker Art Gallery e Secção de Fotografia – AAC
voar

vivia eu com uma amiga no último andar de um prédio do século 19 em pleno centro da helsínquia, no parque do observatório. numa antiga clínica de dentista, repleta de instrumentos que já não estavam a ser usados há muito, uma cadeira datada dos anos 60 onde se sentavam os pacientes, prateleiras cheios de modelos de gesso de cada sorriso humano, com dentes tortos e nalguns casos horripilantes.
um autentico gabinete de horrores.
mas mesmo assim super aconchegado. disseram-nos que em temos quem tiham ficado lá a morar foi a escritora e artista tove jansson, criadora das historias do mumin.
o antigo forno a gás de facto não estava muito certinho e tivemos de verificar com fósforos se ainda estava a deixar alguma fuga de gás quando o cheiro ficava mais intenso.
uma banheira tão grande que cabiam lá dentro várias pessoas.
tapetes e paredes pretinhos e imundos, devido á poluição dos barcos no porto mesmo lá fora.
limpámos tudo. colocámos tecidos floridos nas janelas enormes, tipo atelier, para deixar a cor suavizar os luminosos mas frios quartos.
mês de janeiro e a neve a cair lá fora.
nem frigorífico tínhamos. portanto as janelas com um espaço amplo entre os vidros duplos teve de servir como tal. leite, pão daquele mesmo escuro e ácido dos países nórdicos e de leste, marmelada. queijo.
tínhamos um visitante muito curioso que pousava no outro lado da janela e olhava para nós enquanto batia as asas e fez barulho com as patas em cima do gelo.
uma gaivota.
muito curiosa. a ver televisão connosco, programas em russo e finlandês, no meio do frio. esfomeada.
bem, pelo menos até um certo dia.
cheirava muito a gás e a gente teve de arejar os quartos para não intoxicarmos. esquecemos momentaneamente de fechar a janela.
zás!
lá aproveitou o nosso amigo o bicho para sacar o nosso grande e único queijo que estava bem enrolado num plástico. flap, flap, flap, lá foi ela com o queijo na boca, a subir os céus, virar para não ter um crash contra as árvores. mas o queijo era pesado a mais. caiu. entre as pedras de granito do parque.
a gaivota ficou sem papa.
nós também.
cegueira

they´d come to a crossroad. there was no turning back over the long sands. just silence. comforting. relaxing. great times to move on.
“there are none so blind as those who will no see”
recomenda-se o filme blindness do meirelles (baseado no livro do josé saramago)
arte de viver

já não vejo a minha vida sem a fotografia. é uma maneira de estar no mundo, de se relacionar com o mesmo que nos absorve, encanta, espanta, fascina, seduz, e que durará para sempre.
segundo a informação encontrada, e algo que já sabíamos, a “palavra fotografia vem do grego φως [fós] (luz), e γραφις [grafis] (estilo, pincel) ou γραφη grafê, e significa ‘desenhar com luz’”.
permite-nos descobrir tudo a nossa volta de uma forma intensa, vemos os acontecimentos com olhos diferentes, ficamos mais atentos, mais abertos, mais acordados, mais perspicazes, também em relação aos pormenores e detalhes.
torna-nos pessoas com mais energia, mais ideias, mais criatividade, e com melhor percepção e compreensão. para tudo. nunca pararemos.
citando o grande sven nykvist:
“light can be gentle, dangerous, dreamlike, bare, living, dead, misty, clear, hot, dark, violet, springlike, falling, straight, sensual, limited, poisonous, calm and soft”.
mantém-nos vivos.
qual a dúvida?

gostar é querer estar, comunicar e sentir-se envolvido, a toda hora. ver, ouvir, sentir a pessoa que se gosta, estar presente quando recebe uma boa notícia, vê-la acordar de manhã, apreciar como coloca os seus cremes debaixo do espelho na cada do banho, partilhar uma sobremesa, passear de mão dada, sentir o perfume daquele ser, inalar os mesmos odores, assustar-se no cinema com ela, trocar um olhar de cumplicidade, troçar os cromos a nossa volta, trabalhamos para o mesmo fim, respeitar o seu espaço, perceber quando entende estar sozinha, afastarmo-nos quando é preciso, inspirarmo-nos, sermos amantes e amigos, perdoarmos, trocar desejos em comum…
ou como o gavin degraw se expressa:
oh, this is the start of something good
don’t you agree?
i, haven’t felt like this in so many moons
you know what i mean
and we can build through this destruction
as we are standing on our feet
so, since you wanna be with me
you’ll have to follow through
with every word you say
and i, all i really want is you
you to stick around
i’ll see you everyday
but you have to follow through
you have to follow through
these reeling emotions they just keep me alive
they keep me in tune
oh, look what i‘m holding here in my fire
this is for you
am i too obvious to preach it
you’re so hypnotic on my heart
so, since you wanna be with me
you’ll have to follow through
with every word you say
and i, all i really want is you
you to stick around
i’ll see you everyday
but you have to follow through
you have to follow through
the words you say to me are unlike anything
that’s ever been said
oh what you do to me is unlike anything
that’s ever been
am i too obvious to preach it?
you’re so hypnotic on my heart
so since you wanna be with me
you’ll have to follow through
with every word you say
and i, all i really want is you
you to stick around
i’ll see you everyday
so since you wanna be with me
you’ll have to follow through
with every word you say
and i, all i really want is you
you to stick around
i’ll see you everyday
but you have to follow through
you have to follow through
you’re gonna have to follow
oh, this is the start of something good
don’t you agree?
arte, plágio, ou simplesmente liberdade de expressão?

desde 1980 que a negativland cria vídeos, livros, rádio, live performance, imagens e texto e compilações de som, tirando literalmente a arte de autores do mundo comercial e de mass culture, criando novos conceitos com resultados possivelmente longe dos inicialmente intencionados.
esta constante culture jamming, realizada pelos envolvidos que se consideram “primeiramente activistas e secundariamente artistas”, envolve expressões baseadas em trabalhos visuais e de áudio, e abrange assuntos como “a banalidade bizarra da existência suburbana, o activismo anti-corporativista entre artistas num mundo multinacional saturada de media, o conceito de arte, a propriedade e a legislação na era digital”, tendo levado desde 1984 esta recriação da arte dos outros (só) a duas sentenças por infringir o direito de copyright.
o objectivo do movimento é, meio à sério, meio à brincar, levantar questões, no continente onde agem (estados unidos) e já agora no resto do mundo, relacionadas com a natureza do som, do media, do controlo, da propriedade, da propaganda e da percepção das artes.
emitem um programa radiofónico “over the edge”, publicam livros, lançam cd’s, sendo a última causa colaborar com o grupo digitalfreedom.org.
criticáveis? talvez, dependo do ponto de vista de cada um. a desafiarem e provocarem o mundo artístico? sem dúvida. abrindo os horizontes? certamente. a divertirem-se? segundo os próprios, a resposta é sim.
o silêncio

levo a vida a falar, a informar. há dias em que me faltam palavras… em que o comunicar oralmente não faz sentido, em que prefiro deixar uma imagem…e aconchegar-me no silêncio.
“silence is a source of great strenght” lao tzu
all u need is a friend…

uma mão estendida na hora certa, amiga, compreensiva, aconchegada, tranquila, serena, atenta…a única coisa que precisamos para estabelecer de novo o nosso calmo e o nosso equilíbrio nesta vida de corre corre…
num café num dia num ano em companhia de uma amiga dessas…
assim não…

tão fácil culpar a outra pessoa. tanta postura de kalimero. de santo. de intocável. cansa. afasta. provoca rejeição. it takes two to tango.
takes two to tango (ray charles)
you can haunt any house by yourself
be a man or a mouse by yourself
you can act like a king on a throne
there are lots of things that you can do alone
but it takes two to tango two to tango
até já…

de repente é como se nos faltasse uma peça na engrenagem. a máquina da vida parou repentinamente para um e deixou-nos outros todos um pouco parados, um pouco para trás, baralhados, sem jeito para grandes palavras e grandes discursos. esta vez foi por uma razão completamente inútil e demasiadamente cedo.
a única coisa que nos consola nestes momentos inevitáveis, e pelos quais havemos todos de passar, é que ficamos mais unidos, mais próximos, mais cuidadosos um com o outro, mostramos mais afecto e lembramos do passado e quem já foi com carinho. as amizades tornam-se mais fortes.
a frase batida de que há males que vêm para o bem ás vezes até acerta.
ai inverno querido…

inverno…adoro…quem me dera brincar neste preciso momento no jardim da minha mãe…mandar bolas de neve…fazer uma pequena lanterna de bolas pequenas com uma vela que ilumina o escuridão… sentir os flocos de neve frios e em forma de estrela a caírem no meu rosto e na minha língua estendida para os receber… deitar me na neve e fazer formas de anjo…viver aquele frio seco…aquele silêncio típico, almofadado pelo branco…ficar com o nariz gelado e as maçãs do rosto vermelhas…ver a fumaça da minha própria respiração…para depois da brincadeira entrar numa casa bem quentinha com a lareira acesa e um copo de chocolate bem quentinho com natas batidas a minha espera…

às vezes parece que o tempo fica enferrujado…tudo vai contra a nossa vontade…tanto lixo na engrenagem que o que devia andar para frente, só marcha para trás…planos…desejos…sonhos…necessidades…tempo de lubrificar! para que a máquina avance..frentex!

(crazy, gnarls barkley)
i remember when, i remember, i remember when i lost my mind
there was something so pleasant about that place.
even your emotions had an echo
in so much space
and when you’re out there
without care,
yeah, i was out of touch
but it wasn’t because i didn’t know enough
i just knew too much
does that make me crazy
does that make me crazy
does that make me crazy
possibly
and i hope that you are having the time of your life
but think twice, that’s my only advice
come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are,
ha ha ha bless your soul
you really think you’re in control
well, i think you’re crazy
i think you’re crazy
i think you’re crazy
just like me
my heroes had the heart to lose their lives out on a limb
and all i remember is thinking, i want to be like them
ever since i was little, ever since i was little it looked like fun
and it’s no coincidence i’ve come
and i can die when i’m done
maybe i’m crazy
maybe you’re crazy
maybe we’re crazy
possibly
sem-abrigo

tão pequena…tão frágil… abandonada…com dois meses de idade…encontrada na rua…no meio do frio…esfomeada…carente de um colo e de carinho…uma sem-abrigo…mas resistente…traquinas…cheia de vida…meiguinha…sempre pronta para brincadeira…uma sobrevivente!
engraxado, uma ova

neste mundo de desigualdades… alguns levam graxa… outros são graxistas… de cima para baixo ou de baixo para cima… alguns têm de se ajoelhar em plena rua para enquanto os outros se comportam como reis… um serviço? um ganha-pão? certamente, mas pouco justo. só mais um sinal de pobreza…humana…
vontade

ano novo…vida nova…frase gasta…mas mesmo que achamos as palavras demasiadamente repetidas para terem alguma funcionalidade ou impacto, é exactamente assim que se pretende viver…acordar com uma sensação positiva…alegre e feliz…renovada…com sensações nunca antes sentidas…experiências que nos abrem o coração e nos levantem o espírito…plenos de curiosidade que nunca fica saciada…com vontade de fazer descobertas…sobreviver não basta… estamos no meio da vida que nos oferece tudo e onde está tudo ao nosso alcance…se quisermos
artista

imaginação…experimentação…curiosidade de criança…atrevimento…tornar o que parece impossível algo viável e arrasador…sem limites…
o filme recomenda-se, também para adultos
o escritor músico

boris vian
fais-moi mal, johnny
paroles: boris vianfais-moi mal, johnny, johnny, johnny
moi j’aime l’amour qui fait boum!
il s’est levé à mon approche
debout, il était bien plus petit
je me suis dit c’est dans la poche
ce mignon-là, c’est pour mon lit
il m’arrivait jusqu’à l’épaule
mais il était râblé comme tout
il m’a suivie jusqu’à ma piaule
et j’ai crié vas-y mon loup
fais-moi mal, johnny, johnny, johnny
envole-moi au ciel… zoum!
il n’avait plus que ses chaussettes
des belle jaunes avec des raies bleues
il m’a regardé d’un oeil bête
il comprenait rien, le malheureux
et il m’a dit l’air désolé
je ne ferais pas de mal à une mouche
il m’énervait! je l’ai giflé
et j’ai grincé d’un air farouche
fais-moi mal, johnny, johnny, johnny
je ne suis pas une mouche… zoum!
fais-moi mal, johnny, johnny, johnny
moi j’aime l’amour qui fait boum!
voyant qu’il ne s’excitait guère
je l’ai insulté sauvagement
j’y ai donné tous les noms de la terre
et encore d’autres bien moins courants
ça l’a réveillé aussi sec
et il m’a dit arrête ton charre
tu me prends vraiment pour un pauvre mec
je vais t’en refiler, de la série noire
tu me fais mal, johnny, johnny, johnny
pas avec des pieds… zing!
tu me fais mal, johnny, johnny, johnny
j’aime pas l’amour qui fait bing!
il a remis sa petite chemise
son petit complet, ses petits souliers
il est descendu l’escalier
en me laissant une épaule démise
pour des voyous de cette espèce
c’est bien la peine de faire des frais
maintenant, j’ai des bleus plein les fesses
et plus jamais je ne dirai
fais-moi mal, johnny, johnny, johnny
envole-moi au ciel… zoum!
fais-moi mal, johnny, johnny, johnny
moi j’aime l’amour qui fait boum!
vai um chazinho?

que melhor nestes dias de frio intenso do que uma bela chávena de chá? uma bebida que me segue desde pequena. nas manhãs em família. à tarde. à noite. com leite. ou mel. para acompanhar longas conversas. sempre na secretária nos anos de estudos universitário para as matérias entrarem bem na cabeça. mais folhas. mais água a ferver. capaz de aconchegar. e de aquecer. despertar. aliviar a sede. chá preto. chá fumado. ou chá verde. maçã. frutos silvestres. rooibos . meio quilo ou mais, isto é de folhas. comprado numa loja especializada nesta bebida que se toma de tantas maneiras. com perfume intenso de caramelo. de laranja. ou de jasmim.
homo sapiens – o que se passa contigo?

opressão de um povo. não se admite. nem em gaza. nem em sítio nenhum. para por fim dos atrocidades.
annie – divinal
eurythmics - grande grupo dos anos 80
monday finds you like a bomb
thats been left ticking there too long
youre bleeding
some days theres nothing left to learn
from the point of no return
youre leaving
hey hey i saved the world today
everybodys happy now
the bad things gone away
and everybodys happy now
the good things here to stay
please let it stay
theres a million mouths to feed
and ive got everything i need
im breathing
and theres a hurting thing inside
but ive got everything to hide
im grieving
liberdade

foi-me dado aos meus 18 anos. tornou-se logo um livro importante para mim enquanto pessoa. para sobrepor-me aos contratempos. para nunca duvidar nas minhas capacidades. para abraçar os desafios. para lutar pelas minhas convicções. para exigir a liberdade, em todas as formas. para andara de cabeça erguida. sempre.
supa sista…

i rose and fell
as he called my name
i played his game
as…
he came and came
then…
he changed my name
called my blackness untame
he…
put me in chains
then…
he changed my name
then…
he changed my names…
but now i will rewite history
supa sista
i see you off in the distance
comin’ at me like a twister
packing more force than a four-time
heavyweight champion
kinkycoil topped cauldron
of pain, passion and black-mama strength
hellbent on
making your mark in this world
angry ghetto-grown whril-a-girl…
i want to ride…

ok, o que se passou com a bela de andar de bicicleta para trás e para frente? a vida toda, desde os meus cinco anos, que tenho andado de bicla.
ah, pois, esqueci-me. mudei-me para portugal…onde não têm muitos sítios para andar com segurança. onde não existem muitos sítios só para bicicletas. ou andas na estrada, rodeado de carros, ou não andas de tudo. quase…
a primeira foi uma vermelha. aprendei com o meu pai. depois uma amarela. depois uma daquela de adolescente nos anos 80 com o guiador por baixo, daquelas em que se andava quase deitada para frente, very cool para a idade do então.
depois a era das já velhas, antiquadas. um para homens. azul.
andei durante os meses de primavera e verão à escola 30 quilómetros com ela. por pura teimosia. contra ventos, entre campos de trigo e com o cheiro de algas do mar a apodrecerem à costa a bater na minha cara. foi roubada.
e mais uma, comprada num leilão de segunda-mão. pintei a toda preta. com rodas muito grandes, tipo balão. confortável. deliciosa.
cada vez que volto, vou andar, para matar saudades. é uma sensação de pura e saudável liberdade.
será mesmo?

(imagem hyperakt)
será que é tão bom e tão renovador como parece? será que não passa de uma fantástica jogada de marketing? será que os passos dançarinos, o aperto de mão cordial, o sorriso confiante e o discurso bem delineado não são meros truques para nos deixar embalar e mergulhar naquela sensação agradável que afinal vai correr tudo bem, vamos todos finalmente ser vistos e tratados como iguais, que chegou o nosso “salvador” e benfeitor?
desconfianças a parte, cansados a ver líderes políticos visionários, com charme, e com maneiras de uma estrela de cinema, acabamos por nos render a aparente humanismo deste senhor.
obama traz uma esperançazinha para um melhor mundo.
mas…a ver vamos…
beautiful & wild
…through the darkest night
comes the brightest light
and the light that shines
is deep inside
it’s who you are
oh tonight you killed me with your smile
so beautiful and wild so beautiful
oh tonight you killed me with your smile
so beautiful and wild so beautiful and wild…
freedom

freedom is like taking a bath — you have to keep doing it every day! florynce kennedy
vergonha…

“Os homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres. Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-se no local da selecção. Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil. A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga.São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas. As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos. É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa e comida, e trabalham de sol a sol.É assim durante meses, seis meses máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados. São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa. As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás. Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos dos escravos africanos no tempo da escravatura, olhos, cabelos, dentes, unhas, toca a trabalhar, quem dá mais, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de ‘emigração ética’.Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Emigração ética, dizem eles.Os homens são os empregadores. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres para a apanha do morango. Com menos de 40 anos e filhos pequenos.As que partem ficam tristes de deixar o marido e os filhos, as que ficam tristes ficam por terem sido recusadas. A culpa de não poderem ganhar o sustento pesa-lhes sobre a cabeça. Nas famílias alargadas dos marroquinos, a sogra e a mãe e as irmãs substituem a mãe mas, para os filhos, a separação constitui uma crueldade. E para as mães também. O recrutamento fez deslizara responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens,desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação.Para os marroquinos, árabes ou berberes, a selecção e a separação são ofensivas, e engolem a raiva em silêncio. Da Europa, e de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. A separação faz com que muitas mulheres encontrem no regresso uma rival nos amores do marido.Que esta história se passe o século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável. A Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas, as suas secretárias, os seus conselheiros e assessores, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, interlúdios e viagens, cartões de crédito e milhas de passageiros frequentes, perdeu, perderam, a vergonha e a ética. Quem trata assim as mulheres dos outros jamais trataria assim as suas.Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb ‘emigração ética’. Damos às mulheres ‘uma oportunidade’, dizem eles. E quem se preocupa com os filhos?Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não. O método de recrutamento seria considerado vil,uma infâmia social. Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. Blá, blá, blá. O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental. O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de querem exportar o modelo e estarem muito preocupadas com os direitos humanos. Como é possível fazermos isto às mulheres? Como é possível instituir uma separação entre trabalhadoras válidas, olhos, dentes, unhas, cabelo, e inválidas?Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão.Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão.Esta Europa que presume de humana e humanista com o sr. Barroso à frente, às vezes mete nojo.”
(Texto de Clara Ferreira Alves no “Expresso” de 22-12-2007 na sua habitual crónica “Pluma Caprichosa”)
assim é…

foi assaltado. quatro homens para um. estava aí a mostrar um pouco a mais que tinha dinheiro enquanto pagava o eléctrico em lisboa. aproveitaram. em pleno dia. perdeu metade do dinheiro que trouxe. apanharam um dos tipos. foi lhe devolvido metade do gito. os outros escaparam com o resto. teve sorte de não ter perdido a certeira com os cartões. passou depois o dia na polícia para identificar os tipos entre 330 homens caucasianos. como ele já viajou pelo mundo fora, e já foi assaltado noutras ocasiões, não estava muito transtornado. até achou que viveu uma cena para contar aos amigos. é este cenário do wild west que vai começar a ser o nosso dia-a-dia, com o piorar do tempo de crise? bem-vindo à realidade…
a importância do verde
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em pequena adorava trepar as árvores. muito, muito, muito lá ao alto fiquei a baloiçar bem agarrada aos ramos do pinheiro manso que momentaneamente se tinham transformado num navio de piratas. as raízes antigas das bétulas a preto e branco eram sítios seguros para pormos os pezinhos enquanto fugíamos da lava imaginária que deslizava debaixo de nós. aprendi que o som das folhas da árvore numa brisa suave de verão tranquilizava. que um eucalipto levantando do solo ela trovoada faz um barulho tremendo. e que o musgo que cresce nos troncos em florestas mais húmidas sobrevive em perfeita harmonia e simbiose.
os fins-de-semana passavam-se muitas vezes perto da natureza, a descobri-la, senti-la, vivê-la. acaba-se por morar numa cidade onde quase tudo que é árvore foi para lá plantado. e em quantidade pouca a mais. nada está lá naturalmente a testemunhar histórias e cenários passados. um parque, uma alameda, em formato minúsculo. onde as crianças não podem subir as árvores e viver as suas aventuras. e agora querem vender uma parte (um pouco fora) da cidade onde de facto muitas pessoas vão para recuperar e carregar as baterias no fim-de-semana, onde ainda existem sítios para os pequeninos brincarem e onde se consegue respirar o perfume característico dos pinheiros. o pulmão da cidade está a ser alvo de especulação económica. noticiaram no público 9 de Fevereiro de 2009: |
“o novo plano regional de ordenamento do território do algarve (protal) abriu as portas ao êxito de uma empresa de capitais russos que se arriscou, há cerca de seis meses, a investir mais de 50 milhões de euros em terrenos situados na zona do pontal, em áreas do pré-parque e do parque natural da ria formosa, perto de faro, onde antes ninguém conseguira autorização para construir. a proposta dos novos proprietários foi apresentada na semana passada como projecto de potencial interesse nacional (pin) e deu entrada na comissão de avaliação e acompanhamento dos projectos de potencial interesse nacional em 16 de dezembro. o investimento rondará 460 milhões de euros e os promotores deixaram um recado claro: não há tempo a perder porque o calendário prevê o início das obras ainda em 2009. (…)”
mas qual projecto de potencial interesse nacional?
precisamos do verde. significa vigor, juventude, frescor, esperança e calma, contentamento e protecção.
ninguém protesta? segue o exemplo da plataforma do choupal.
acção cívica, please!
pela paz

“a marcha mundial começará na nova zelândia, no dia 2 de outubro de 2009, aniversário do nascimento de gandhi e declarado pelas nações unidas como “dia internacional da não-violência”. terminará na cordilheira dos andes, em punta de vacas, aos pés do monte aconcágua em 2 de janeiro de 2010.
durante estes 90 dias, passará por mais de 90 países e 100 cidades, nos cinco continentes. cobrirá uma distância de 160.000 km por terra.
alguns trechos serão percorridos por mar e por ar. passará por todos os climas e estações, desde o verão tórrido de zonas tropicais e do deserto, até o inverno siberiano. as etapas mais longas serão a americana e a asiática, ambas de quase um mês. uma equipe base permanente de cem pessoas de diversas nacionalidades fará o percurso completo.
por quê?
porque a fome no mundo pode ser resolvida com 10% do que se gasta em armamento. podemos imaginar como seria, se 30 ou 50% fossem destinados para melhorar a vida das pessoas, em vez de serem aplicados em destruição?
porque eliminar as guerras e a violência significa sair definitivamente da pré-história humana e dar um passo gigante no caminho evolutivo de nossa espécie.
porque nos acompanha nessa inspiração a força das vozes de tantas gerações anteriores que sofreram as conseqüências das guerras e cujo eco continua se escutando hoje em todos os lugares onde continuam deixando seu fúnebre rastro de mortos, desaparecidos, inválidos, refugiados e deslocados.
porque um “mundo sem guerras” é uma proposta que abre o futuro e deseja se concretizar em cada canto do planeta, onde o diálogo vá substituindo a violência.
é chegado o momento de fazer ouvir a voz dos sem-voz! milhões de seres humanos pedem por necessidade que se acabe com as guerras e a violência.
calma

overcome anger by love; overcome wrong by good;
overcome the miserly by generosity, and the liar by truth.
speak the truth; do not yield to anger;
give even if asked for a little.
these three steps lead you to the gods.
the wise who hurt no one, who always control their body,
go to the unchangeable place,
where, once they have gone, they suffer no more.
those who are always aware, who study day and night,
who aspire for nirvana, their passions will come to an end.
(…)
be aware of bodily anger and control your body.
let go of the body’s wrongs
and practice virtue with your body.
the wise who control their body,
who control their tongue,
the wise who control their mind are truly well controlled.
be aware of the tongue’s anger and control your tongue.
let go of the tongue’s wrongs
and practice virtue with your tongue.
be aware of the mind’s anger and control your mind.
let go of the mind’s wrongs
and practice virtue with your mind.
desprezar? porquê? para quê?

“já notei que a maior parte dos homens se sente açulada e indignada quando, em pleno combate moral, recorremos à ternura e ao afecto. é vê-los feras amansadas e apanhadas de surpresa assim que recorremos à violência ou à dureza. raça detestável! tal preceito mantém-se praticamente inalterável no que respeita ao amor.
realidade estranha e deplorável, pois, em muitos casos, é igualmente aplicável à amizade; realidade pavorosa, desesperante, mas inevitável, necessária à subsistência das nossas sociedades, dos governos mais democráticos aos mais despóticos.
quando não é refreado nem reprimido, o homem aproveita imediatamente para cometer abusos.
despreza quem o receia e maltrata quem o ama; receia quem o despreza e ama quem o maltrata. “
george sand, in ‘diário íntimo’
Primeiros Sintomas entrega-se a “F*der e ir às compras”
“shopping and f*ucking” de mark ravenhill no teatro das figuras, a 28 de fevereiro, em faro dá-nos a oportunidade de “reflectir sobre a sociedade de consumo, a globalização, a violência e o corpo, questões que definitivamente se instalaram na sociedade portuguesa e nas artes.”
estende-se ao consumo físico de todo o tipo de bugiganga nesta sociedade actual, mas também à dinâmica extrema das relações interpessoais, onde as emoções são transformadas em objectos, onde a dependência afectiva nunca chega a se realizar e onde todo o tipo de compra e venda é legitimada, tornando-se um profiláctico e um anestesiante.
texto: mark ravenhill
tradução: ana bigotte vieira
direcção artística e encenação: gonçalo amorim
espaço cénico: rita abreu
adereços e figurinos: ana limpinho e maria joão castelo
sonoplastia: sérgio milhano
desenho de luz: josé manuel rodrigues
amizade…

”each friend represents a world in us, a world possibly not born until they arrive, and it is only by this meeting that a new world is born.”
a todos os meus amigos e tods as minhas amigas que tornam esta vida uma aventura, colorida e bonita.
la femme

desde 1857 que as mulheres lutam para fazerem ouvir as suas vozes e criar um estatuto de igualdade com os homens.
e continuamos a ganhar menos.
o equilíbrio ainda não se instalou.
o feminismo ainda não conseguiu o devido respeito.
num mundo melhor, as celebrações do dia internacional da mulher no 8 de março deixavam de se realizar.
nas asas da liberdade

(foto: frederick glasier 1902)
inspiradora, expressiva…loїe fuller, artista, “deusa da luz”, mulher de uma época que sempre admirei, qual gostaria de ter vivido, tempos de inovação, de ideias, de descoberta, de arrasar limites, de revolucionar, e de procura constante de expressões novas.
decoravam os postais de arte nouveau as paredes da casa-de-banho da minha madrinha no meio da floresta, imagens coloridas de tempos passados, decorativas, pérolas, adornos, formas femininas, soltas, belas, atrevidas, libertadoras, criadoras de novos mundos e de novas ideias, a loїe também fazia parte…
fotógrafa

“antonia pozzi, uma das vozes femininas mais intensas da poesia italiana do século passado, deixou um significativo legado fotográfico que só muito recentemente começou a ter visibilidade e que se pode considerar um documento histórico e antropológico da itália do norte.
a uma distância de setenta anos da sua morte, comemorados num convénio realizado em novembro de 2008 na università statale di milano, revela-se aquela que foi uma segunda alma de antonia pozzi.
é a primeira vez que esta intelectual milanesa, tão apreciada por poetas e escritores como montale e pasolini, se apresenta em portugal, num organização da faculdade de ciências humanas e sociais da universidade do algarve – departamento de línguas, comunicação e artes.
por ocasião da inauguração da exposição, no pátio de letras, em faro, sábado 28 de março pelas 17.00 horas, a comissária da exposição e primeira investigadora do fundo fotográfico do arquivo pozzi de pasturo, ludovica pellegatta, fará uma apresentação (com tradução simultânea em português) acompanhada do lançamento da antologia fotográfica “nelle immagini l’anima” editado com onorina dino, coordenadora do arquivo pozzi, pela editora ancora.
ludovica pellegatta e filippo bianchi são os commissários da exposição que ficará patente ao público até ao dia 20 de abril de 2009.”
(texto do site do pátio das letras)
os saltimbancos de chico buarque

“cansado da exploração e maus-tratos do patrão, um jumento abandona a fazenda em que trabalhava, em busca de melhores condições de vida.
no caminho para a cidade, encontra um cachorro e uma galinha que fogem pelo mesmo motivo. junta-se a eles uma gata, expulsa de casa por passar a noite a cantar. unidos, decidem formar um conjunto musical, criando belas canções.
com esta fábula, chico buarque criou um texto e canções que nos transportam à magia suprema do espectáculo e ao que a vida tem de encanto.”
a procura da liberdade nunca é demais, o dever de cada um. seiva trupe traz-nos a sabedoria desta saga ao teatro municipal de faro.
assim é que celebramos o dia mundial do teatro.
apagão saudável
vá lá, apaga as luzes esta noite para deixarmos a nossa terra respirar as mais fresco. a hora do planeta (earth hour), iniciativa da organização ambientalista world wildlife fund (wwf) acontece em portugal entre as 20h30 e as 21h30.
põe-te às escuras, sem qualquer tipo de aparelho ligado, goza da liberdade, agarra a mão de quem gostas e aproveita do momento… até vais conseguir distinguir as estrelas no céu. assim contribuimos todos para um mundo melhor.
curtas, por favor

decorre a 1ª mostra de curtas-metragens algarvias cine estúdio alagoa, praia altura, de 2 a 5 de julho de 2009, para realizadores de curtas-metragens de qualquer idade, para um programa que promete divulgar três categorias do cinema – ficção, animação e documentário.
bela oportunidade para deixar florir a imaginação e a criatividade. para participar, ver aqui
anarquia
a emma goldman sabia bem o que esta ideia, convicção e postura significava para as mulheres, tanto na vida emocional como na profissional.
outras épocas, tudo bem, mas no fundo, no fundo, os ideais continuam válidos ainda hoje.
liberta-te e não te deixes opressar. sê anarquista, mulher!
e para quem tiver a dúvida se há filosofias que conseguem conviver, vejam só o que se diz sobre budismo e anarquismo - relação lógica e feliz
palavras sedutoras

«faz de conto: contos eróticos medievais», uma produção te-atrito e arc músicos, no pátio das letras, no sábado 4 de abril, às 24:00…
sinopse:
“em plena idade média, uma bruxa, um bobo e um monge, todos foragidos por heresia ou rebelião, encontram-se e decidem seguir caminho juntos. para melhor se disfarçarem fingem ser um grupo ambulante de contadores de histórias. as histórias que contam, “les fabliaux”, eram correntes nos séculos xiii e xiv. tratam-se de contos em verso, para rir, inspirados no trio marido-mulher-amante, e com uma linguagem brejeira que faz as delícias do nosso imaginário mais malicioso.”
sonho
e se as nossas cidades fossem cuidadas? se o nosso património fosse bem tratado, as casas antigas recuperadas para serem criadas ambientes possíveis de habitar?
se houvesse escolha.
em vez de sermos quase obrigados a escolher a viver em mamarrachos degradados, apesar de estarem cá há poucos anos, e de arquitectónica duvidosa, podermos criar a nossa vida em espaços onde a alma respira e onde o olhar é deslumbrado pelas traças antigas do lar?
onde a luz entra nas pequenas janelas quadradas, inseridas na porta de madeira maciça. onde na pia em pedra na cozinha já se lavava loiça há um século atrás.
onde as tábuas do chão, gastas, lisas e quentes do sol, fazem barulho quando percorremos o corredor e onde de vez em quando as nossas meias ficam presas nas irregularidades.
onde as portas das janelas que vertem para a rua já não assentam bem, bem, mas configuram um charme devastador e uma sensação de pertença a algo maior.
e se isto fosse possível para todos?
do feminismo ao feminino

fotógrafas em destaque nos encontros da imagem de braga 2009
realizam-se os “encontros da imagem” em braga de 2 a 31 de maio sob o tema as fronteiras do género a destacarem as práticas artísticas femininas e o papel interventivo da mulher na sociedade ao longo do tempo, desde a maternidade à intimidade, passando pelas primeiras lutas feministas.
segundo as informações estarão no mosteiro de tibães “26 autores a expor do feminismo ao feminino, no museu nogueira da silva, encontrar-se-ão estereótipos de mulher e na fonte do ídolo a relação de ruína e fragmento com o corpo”, privilegiando-se a memória no museu d. diogo de sousa. em paralelo estarão a decorrer oficinas e conferências e acções lúdicas para o público, como uma maratona fotográfica a partir de um guião, sendo uma das iniciativas se calhar mais louváveis a promoção de jovens autores (emergentes 09) que poderão concorrer com portfólio para “melhor portfólio emergentes 09″ que irão ficar expostos até ao fim dos encontros.
a apresentação do portfólio deve ser feita em cd, não excedendo as 20 imagens, apresentadas em jpeg (72 dpi’s) com um tamanho máximo de 1400 pixels (lado maior). o portfólio com a identificação deve ser dirigido à direcção dos encontros da imagem – campo das hortas 35, 4700 – 421 braga, até dia 30 de abril.
todas as exposições são de acesso gratuito.
do…coração

arte… urbana… contemporânea…evocou a memória do pintor e escritor da “geração perdida”, à sombra do movimento romântico nacional, ivar arosenius…
boémio e bom-vivant, à procura da liberdade em todos os sentidos, até ao dia em que encontrou a mulher da sua vida e teve uma filha que o inspirou para uma das histórias infantis mais conhecidas na literatura artística sueca, kattresan – a viagem com o gato…
expo nas minas

decorre entre 10 de abril e finais de maio a exposição colectiva de fotografia “minas de são domingos” de autoria da associação de fotógrafos ¼ escuro no novo espaço cultural no centro de minas de são domingos, alentejo, numa colaboração com a associação de amigos da mina.
recordamos:
autores: ana abrão, antónio baeta, andré boto, agostinho gomes, antónio guerreiro, carlos afonso, fernando amaro, fernando quintino, fernando soares, juan castellano, josé martins, josé silva, lopo faísca, malin lofgren, mário torrinha, paulo fernando, payk
(es)cravos de abril…

quase que passou uma vida desde que a voz do povo derrubou o sistema. olha-se para trás e condena-se o que outrora era visto como opressão. expressa-se o orgulho de ter criado um sistema onde o lápis azul já não é utilizado.
mas será que os ideais foram mesmo alcançados? será que se conseguiu realizar os sonhos? será que a sociedade onde hoje vivemos nos profere aquela liberdade que pretendemos?
ou será que isto tudo é ilusório?
vida colorida

palavras da escritora, poetisa e jornalista karin boye (1900-1941), autora dos livros kallocain e det hungriga ögat (o olho esfomeado), mulher da esquerda, humanista, budista, feminista, bissexual e anti-fascista
from a bad girl
i hope you’re having a rotten time.
i hope you’re lying awake like i am,
and feeling strangely glad and stirred
and dizzy and anxious and very disturbed.
and suddenly you’ll hurry up
to settle down and sleep like a top.
i hope it takes you longer than you think…
i hope you don’t even get a wink!
voa…
(foto do site ballardian.com)
faleceu o escritor j g ballard. tive a ocasião de entrar no mundo fantástico, futurista e visionário dele há uns anos atrás quando fiz a tradução do manuscrito para o filme da realizadora sueca solveig nordlund, aparelho voador a baixa altitude, baseado na história dele (low-flying aircraft, 1976), onde entram os actores miguel guilherme and margarida marinho, entre outros.
filmado nas na altura ainda existentes abandonadas torrres de tróia (setúbal), o filme estreou em portugal em 2002.
furo

celebra-se o dia mundial da fotografia pinhole (worldwide pinhole photography day) no 26 de abril. um exercício altamente interessante e uma verdadeira arte para quem acha que torna a vida mais bonita ao brincar com a luz.
já tinha fotografado bastante com a minha kodak instamatic 25 dos anos 60, com uma cassete que criava fotos quadradas, e uma olympus do meu pai quando comecei há alguns anos atrás a dedicar-me à fotografia mais à sério, num curso dado por uma colega do ofício jornalístico. nas primeiras tentativas pegámos nas nossas latas de chá, fomos para o jardim da alameda e deixámos entrar os raios do sol naquele recipiente de metal.
básico, mas pura magia. fascínio total.
para celebrar a fotografia estenopeica, são organizadas actividades pelo clube buraco de agulha em conjunto com o instituto português de fotografia.
dobras de papel

deixa nos focar ao mesmo tempo que descontraímos. força-nos a seguir regras, ao mesmo tempo que nos concede toda a liberdade de imaginação. nos momentos mais pesados deixa-nos mais leves.
rã de papel criada com técnica origami. estarmos a passar por uma crise a nível mundial e o boneco ser feito um bocado de uma página de economia de um diário, é mera coincidência.
arte urbana

e se o ambiente a nossa volta começa a ficar tão degradado que já não o suportamos? as casas antigas que nos poderiam influenciar positivamente com a sua beleza singular e os seus pormenores estéticos de outrora, caídas em ruínas. as plantas a crescerem nas janelas dos edifícios abandonados. toda a panóplia de uma arquitectura original, para a qual já não há espaço num mundo de urbanização sem nexo, a desfazer-se a frente dos nosso olhos.
há mentes que despertam. que preferem criar em vez de destruir, ajudar a embelezar enquanto em simultâneo fazem ouvir as suas vozes, as suas críticas, mostram os seus sonhos, as suas convicções e a sua arte.
cidade de graffitti. cidade jovem. cidade solidária. cidade de liberdade.
rush hour

quando o tempo não chega, quando as tarefas se acumulam como as folhas caídas numa manhã de outono, quando o sono é ininterruptamente interrompido, quando o coração bate demasiadamente depressa, quando as imagens do dia não querem sair da cabeça, quando as palavras remoem como um mantra amaldiçoado…
…só apetece descansar… só um pouco… paz… liberdade…
go…eastwest…

terá lugar no espaço polivalente da casa do povo de santo estêvão de tavira (cpse), no próximo dia 30 de abril de 2009, a partir das 22:00, um concerto pelos «eastwest», que encerrará a exposição de fotografia «render-se à índia» de isabel macieira e matthijs leijenaar.
o projecto «eastwest», de johan zachrisson (guitarras e baixo – ex membro do grupo de pop, reggae e punk sueco dag vag e compositor de música para vários filmes), luís fialho (guitarras e baixo), félix maria woschek (guitarras) e raimund engelhardt (tablas e timbal) convida para entrarmos num universo musical de extraordinária espiritualidade em torno de referências e instrumentos orientais e, especificamente, do sub-continente indiano.
1º de maio

(gravura de walter crane)
1º de maio, desde sempre uma celebração da vinda da primavera, com raízes pagãs. mas ainda mais o dia do trabalhador. por isso, um dia de festa, sem dúvida.
os actos de coragem que foram realizados justamente nesse dia, 1 de maio de 1886 em chicago quando o povo encheu as ruas em protesto e greve para conseguir um dia de trabalho de oito horas.
movimento de contestação e de anarquismo de maior importância, que anos mais tarde fez surgir a segunda internacional.
viva 1 de maio. bom work.
humanos

tempos complicados… será que, num cenário mais agravante, a gente assume responsabilidades? que, de facto, vamos precisar um do outro. que é preciso mostrar coragem, humildade, afecto. que vamos depender directamente da caridade do próximo. que não somos o centro do mundo mas que precisamos de dar atenção aos outros, contar com eles e mostrar compaixão. e finalmente começarmos a sentir orgulho por sermos humanos.
o tempo…

entraram como projécteis afiados no seu íntimo… palavras… de frustração…
marteladas… repetidas… sufocantes… minavam o caminho… provocavam sono à alma…
o seu único desejo: despertar
tourada humana?

será que não chega a tourada ser um espectáculo cruel, onde o animal é molestado e torturado enquanto as pessoas assistem e aplaudem o sofrimento do bicho? continuamos a praticar actos em relação aos outros que mostram que não aconteceu rigorosamente nada com a nossa evolução desde a idade média.
o nansimo é um problema real para muitos, sendo em muitos casos as pessoas com esta condição discriminadas, e sem os mesmos direitos que os outros chamados normais.
esperemos que estes artistas, estas pessoas, estes humanos, fazendo o trabalho deles para divertirem o público, e que já os valeu aparecerem num documentário, pelo menos sejam bem remunerados.
uma pequena grande mulher

laura ayres (1922-1992), muito a frente no seu tempo, pioneira, lutadora corajosa em pé de igualdade com o sexo oposto numa profissão dominada por homens na altura, virologista, cientista, médica, combatente na área da sida, professora, mãe, a traçar o caminho para a saúde pública.
inaugurou o laboratório de saúde pública laura ayres no dia 8 de Maio de 2009.
celestial

para cima… para sentirmos o pulso da vida por dentro… deixando as preocupações por traz…por segundos… abraçamos o céu…
criação divina

descansando… esperando… vista de uma janela, mirando a beleza feminina criada pelo artista edward hald (1883-1980)
tentações

“a única maneira de libertar-se de uma tentação é entregar-se a ela. resista, e sua alma adoecerá de desejo das coisas que ela a si mesma se proibiu, com o desejo daquilo que suas leis monstruosas tornaram monstruoso e ilícito.”
dama cheia de curvas

encontraram uma nova figura de vénus que nos remete aos ideais nos olhos do homem (e possivelmente da mulher também) já há 35 mil anos atrás. esta senhora da fertilidade, redonda e algo desproporcionada (ou não, depende do gosto de cada um) nos sítios que destacam o feminino, aparentemente obesa e apesar disso muito levezinha (a figura pesa 33 gramas), foi esculpida em marfim de mamute (coitado do bicho) e de certeza venerada nas redondezas de hohle fels na alemanha onde foi encontrada.
a vénus de willendorf (descoberta em 1918) ficou assim com uma concorrente à altura. os homens das cavernas podem não ter sido muito desenvolvidos, mas de certeza que sabiam apreciar uma mulher, tal e qual como era, sem complexos e sem pressão da sociedade a tornar-se magrinha para agradar.
lady, au naturel.
(fonte: público)
fé-tich?

acreditamos todos em algo… confiar na nossa capacidade enquanto pessoas e humanos deverá ser o mais importante.
dias de punk

anos 80. país suécia. grupo ebba grön. letras anti-capitalistas. críticos do estado. solidariedade com a classe trabalhadora. anti-fascistas. anarquistas. ídolos de várias gerações.
o thåström aos berros na “staten och kapitalet”: “lado ao lado, estão de mãos dadas, o estado e o capital, sentados no mesmo barco, mas não são eles que remam, remam até afogar em suor, e o chicote que esgaravata, nem arranha as suas nucas gordas (…)”.
letra hiperactual sobre os problemas de habitação, as rendas altíssimas, o papel da escola a colmatar o aumento do desemprego, e a pressão nas pessoas que lutam para não perderem o seu ganha-pão.
retrato criativo de artistas

nos dias 30 e 31 de maio de 2009, faro. workshop de fotografia com rita carmo. para fotógrafos amadores ou profissionais com conhecimentos básicos de fotografia, com especial interesse por retrato de artista aplicado à música.
“retratar a música é como inventar um filme onde já temos a banda sonora. os passos antecipatórios a dar a uma sessão fotográfica, o equipamento, a escolha do conceito, do espaço, os adereços, a composição e a opção estética têm de complementar a imagem da música da banda retratada.”
linnéa

de repente mostrou-se, pequena, pálida, graciosa e esbelta como uma ninfa, algo frágil mas persistente, ligeiramente perfumada, um ser cujo mundo deveria ser o das sagas do john bauer. no meio da floresta, sob os pinheiros bravos onde o ar saboreava a resina e a mar salgado, em pé no chão coberto de musgo húmido nesta manhã de verão, despida, indefesa mas de cabeça erguida, orgulhosa, deixou-se ser presa.
linnéa borealis, escandiava, flor gémea, baptizada pelo carlos lineu, pai da taxonomia moderna.
palavras

quando já lidas e ouvidas ficam por aí penduradas. ou conseguiram comunicar e iluminar, ou não serviram o seu propósito e passaram despercebidas e sem efeito. bem fundadas, escritas de forma cuidada e correcta. éticas, seguindo o código deontológico dos jornalistas. ou criadas para vender, para causar polémica, para ganhar audiência. tudo em nome da informação, dependendo do estilo de cada um.
jornalismo de qualidade é uma coisa. tvi é outra. pelo menos segundo a opinião do polémico bastonário da ordem dos advogados, marinho pinto, que ontem em directo pôs os pontos nos i’s em horário nobre, descascando no trabalho realizado naquele canal.
viva a liberdade de expressão.
el che

“as balas mataram um combatente da liberdade mas não os seus ideais”
homenagem ao ernesto guevara de la serna numa parede, faro, algarve, portugal
para mais info, ver aqui
era uma vez…

dedicada a todos aqueles dias e todas aquelas noites saudáveis da nossa infância quando percorremos os becos até ao anoitecer…quando andávamos de bicicleta em alta velocidade nos caminhos de terra batida…quando trepávamos as árvores que rodeavam as nossas casas…quando ainda haviam prados abertos logo ali, a virar a esquina…quando brincávamos que o material de construção na futura pista desportiva eram barcos num mar imenso de água pluvial…quando entrámos no jardim do vizinho para lhe roubar maçãs ou cerejas…quando construíamos casinhas de tábuas de madeira para os nossos clubes secretos… quando o ar se respirava, limpo…quando o mundo ainda nos parecia segura…quando ainda tínhamos espaço…quando éramos livres…
uma questão de vida

para o bem-estar dos nossos pequenos…para salvarmos vidas… para os verem crescer…em segurança…é uma questão de vida…apoiem
piratas

está em franco crescimento, o partido pirata, dedicado à liberdade e à cultura, numa onda anarquista… a caminhar para conquistar lugares no parlamento sueco e na comissão europeia…
“all non-commercial copying and use should be completely free. file sharing and p2p networking should be encouraged rather than criminalized. culture and knowledge are good things, that increase in value the more they are shared. the internet could become the greatest public library ever created.”
quem concordar com este movimento poderá desejar que não se deixem domesticar…
o direito de brincar

há vinte anos (20 de novembro de 1989), as nações unidas adoptaram, por unanimidade, a convenção sobre os direitos da criança, documento que enuncia um vasto conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos económicos, sociais e culturais – de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicados.
os quatro pilares fundamentais são:
- a não discriminação – todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo
- o interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito
- a sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente
- a opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos
fonte: unicef
celebra-se hoje o dia mundial da criança.
parabéns pequenotes!
aproveitem!
brincar, brincar, brincar, brincar, brincar!
contos eróticos
o grupo de teatro tavirense al-mashra apresenta “uma snob casa de prostituição literária – contos eróticos” nos dias 5 e 6 de Junho pelas 22 horas.
“em 1940, um coleccionador de livros pediu a henry miller que escrevesse contos eróticos a um dólar a página… henry – para quem escrever por encomenda era uma verdadeira tortura – passou a tarefa a anaïs nin, que logo reuniu os amigos para que partilhassem as suas experiências e fantasias sexuais. isto deu origem a uma verdadeira epidemia de diários eróticos!
nesta “snob casa de prostituição literária”, inspirada pelos contos de anaïs nin, procura-se viajar em torno do poder erótico das palavras. duas actrizes – ana gabriel e patrícia amaral – num espectáculo que alia a narração oral e a linguagem teatral, procuram despertar sentidos e estimular a busca do prazer.”
espaço da corredoura, rua d. marcelino franco, 41 - tavira
vós grafitais

eu grafito, tu grafitas, ela grafita, nós grafitamos, vós grafitais, eles grafitam…
arte urbana na cidade cubista, olhão
playboys…
“a festa de despedida no porto de lisboa estava cheia. playboys e ancas jeitosas, marinheiros e oficiais despenteados, urbanos e campónios, populares e clássicos, modernos e antigos, bêbedos e alegres, tristes e melancólicos, uns dançam, outros tocam, alguns vivem, uns são convidados, outros aparecem por lá e todos fazem parte dessa mesma eternidade. uns ficam, outros já se foram.
com o subir da lua chega a hora do adeus, dos beijos, das facadas, dos abraços e das desgraças, as luzes do porto apagam-se, a algazarra dissipa-se, o som do baile entregou-se às gaivotas, o cheiro a rio invade as ruas até cá cima, e ao longe, no silêncio deste tejo, navegando sob águas calmas, o lusitânia partiu.
uma silhueta negra acabou de passar a barra, é um barco, que ninguém sabe para onde vai.”
(texto e foto – rita carmo - retirados daqui)
os dead combo prometem encantar com as suas histórias melódicas no TEMPO (teatro municipal de portimão), lusitânia playboys em concerto este sábado.
vi(c)tória olhanense?

desde há mais de 15 anos que a vivenda victória, este fabuloso edifício olhanense de 1918 com a torre que se ergue a tentar tocar os céus, com janelas multicoloridas e com azulejos art-nouveau a meterem inveja aos coleccionadores e uma das mais importantes residências unifamiliares dos princípios do século xx no sotavento, segundo o ippar, está entregue à decadência e ao degradar do tempo. há um par de anos que ainda lá viviam pessoas e as figueiras nas traseiras serviam para secar roupa lavada.
é mesmo esta imagem que desejamos apresentar aos visitantes? é assim que se trata o património? qual recuperação? qual vamos-tratar-do-que-tem-valor-estético nesta cidade? qual política cultural?
o graffitti de facto só ajuda embelezar a casa neste mundo de pernas para o ar.
este povo dormente…

35 anos de se gabarem por terem realizado uma revolução em nome da democracia e eis o resultado – uma abstenção de mais de 60% na hora de levantar a voz nas eleições europeias, desperdiçaram o segundo que leva a fazer a cruzinha no boletim de votos, mal aproveitaram de fazer do direito um dever, preferiram não fazer uma escolha consciente e bem fundada, mostraram que vivem mais tranquilos sem se mexerem sendo que não interessa o acto responsável de cada um.
e quem de facto votou fez a sua escolha, seja ela por contestar o poder de quem manda neste momento, se calhar por pura embirração, ou até por convicção. o certo é que quem ganhou vem de uma ala partidária onde as palhaçadas, a falta de ideias e o silêncio já fez das suas. o povo está esquecido e parece que nunca mais aprende.
continua-se a desculpar a falta de empenho por parte do eleitorado com o argumento de que a democracia é jovem. meu, quantos anos é que levam para o português amadurecer? se não votam como é que acham que alguma coisa alguma vez poderá ser mudada a não ser por sorte da oposição? mas não é o povo que ordena? assim os políticos terão sempre espaço para brincar nesta caixa de areia que é portugal.
soltem-nos

“the elephant is not satisfied with the food in luxurious places. it longs to go back to the jungle among its relations.”
(nagavagga – the elephant, in dhammapada)
lagarta, lagarta, lagarta

num baralhar de expressões (consciente), para confundir um pouco o olhar…
na mesa-de-cabeceira

leitura herdada da minha avó, de certeza daqueles livros que não estiveram na primeira fila na estante, tesouros literários do miller, tropic of cancer, quiet days in clichy, escritos nos anos 30, traduzidos nos anos 60, comprados por o que hoje parece uma pechincha, com desenhos do artista per åhlin.
sabedoria

“do not believe in anything simply because you have heard it. do not believe in anything simply because it is spoken and rumored by many. do not believe in anything simply because it is found written in your religious books. do not believe in anything merely on the authority of your teachers and elders. do not believe in traditions because they have been handed down for many generations. but after observation and analysis, when you find that anything agrees with reason and is conducive to the good and benefit of one and all, then accept it and live up to it.”
(budda)
musicalidades

desejava ser músico. aulas todas as semanas de flauta de bisel e de flauta transversal desde os seus 7 anos. treinava. debussy. mozart. clássicos. contemporâneos. aulas teóricas, extras, para aprender a história da música, harmonias, escalas, alegretto, stacatto, maior, menor, acordes, ritmos, piano, guitarra, canto… a coisa correu-lhe bem. tocava em casamentos e baptizados, cantava em coros, fazia concertos na aldeia onde vivia, participava em musicais…no dia em que fez a prova para entrar numa escola de jazz, após longas horas de ensaio, a sua coragem foi desmanchada. deixou de tocar durante anos. dedicou-se a outras artes. mas com o bichinho musical a correr-lhe nas veias e a fazer-lhe sempre cócegas nessa alma sonhadora, voltará de certeza a mergulhar um dia destes no mundo colorido das tonalidades…
figura de urso?

começou, já lá vai uma década, com as vacas. um imenso espectáculo público de arte, para todos, em forma animalesca. bichinhos deitados, em pé, ou simplesmente a pastar por aí…a até hoje o desfile das figuras bovidae em fibra de vidro já decorreu mais de 50 cidades. até o algarve teve o seu desfile de “vacas loucas”, no centro cultural de são lourenço em 2000, com artistas e criadores nacionais, internacionais e locais metidos ao barulho. de repente apareceram vestidas de roupa de todos os feitios, padrões e gostos.
apostou-se na cabra algarvia. pelo menos em castro marim, ainda este ano. mais um ruminante. teimosa e casmurra, devastadora por onde passa, mas pacífica, autóctone. promovendo os produtos rurais e as tradições regionais.
agora é a vez dos ursos desfilarem. artistas juntarão 35 ursus na praia dos pescadores em carvoeiro num dança colorida que se inicia a 11 de julho num acontecimento artístico apoiado pelo organismo turístico da região e que se prolongará nos próximos meses a monchique e loulé, inspirado no “buddy bears” (berlim em 2002), com o intuito de “estimular as pessoas e criar um impulso positivo, para demonstrar que é necessário seguir em frente.”
do céu

a ideia da selma lagerlöf de viajar sobre as costas de um ganso e ver as regiões do país, este caso as da suécia, não era de todo má e muito à frente no tempo dela. de viagem, de forma mais moderna e através de uma companhia neerlandesa, vivi há pouco momentos estéticos e visuais inesquesíveis. vi, mais uma vez, este mundo maravilhoso do céu. as padrões, as montanhas, onde passaram há milhões de anos massas de gelo a esculpirem a paisagem, e onde ainda hoje prevalecem no topo pequenas manchas de neve, o azul infinito do mar, as bolas de algodão das nuvens, as longas praias brancas das costas, as infinitas tonalidades de verde das terras cultivadas entre o sistema de canais holandeses onde brilha o reflexo das árvores na água escura nas redondezas de amsterdão.
faz-nos pensar se não foi mesmo alguém mesmo especial que nos criou isto tudo. humildes.
na boa

de regresso da suécia. país sem grandes complicações. nada de facilitismos mas de ordem natural, organização. humano e humanista. onde as ruas são feitas para passear ou andar de bicicleta. onde a estética tem o seu espaço privilegiado. onde o design e o património nacional é acarinhado, destacado. onde se tem orgulho da beleza antiga e contemporânea. onde o verão é quente qb, onde o verde e o florido abundam e onde a trovoada só ajuda a apimentar uma tarde bem passada. lugar de pertença. voltarei. em breve.
hastes la vista

a tauromaquia é sem dúvida condenável. e quando o homem tenta imitar o animal então o resultado torna-se inevitavelmente ainda mais desastroso. gestos e movimentações agressivos, com o intuito de ferir podem levar à extinção.
liberdade nórdica

as nações escandinavas têm uma história extensa e uma tradição longa de liberdade de expressão, de jornalismo de profundidade e de investigação. eis um excerto da imprensa dinamarquesa, jornal politiken, fundado em 1884, hoje em dia conhecido pelo seu jornalismo fotográfico.
viagem

é o vento que me leva.
o vento lusitano.
é este sopro humano universal
que enfuna a inquietação de portugal.
é esta fúria de loucura mansa
que tudo alcança
sem alcançar.
que vai de céu em céu,
de mar em mar,
até nunca chegar.
e esta tentação de me encontrar
mais rico de amargura
nas pausas da ventura
de me procurar…
miguel torga, in “diário xii”
em crescimento…
para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
sê todo em cada coisa. põe quanto és
no mínimo que fazes.
assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.
fernando pessoa aka ricardo reis
do livro “o eu profundo e os outros eus”
fredrika

mulher lutadora que cedo percebeu a importância da liberdade e da igualdade da mulher com o sexo oposto. novelista, jornalista, feminista, humanista viajou até aos estados unidos de américa no século 19, de onde relatou sobre o sistema que, na altura, ainda encarava a escravidão como natural. o seu empenho para alertar para o papel da mulher como não tradicionalista inspirou tanto o povo como os políticos, tendo sido adoptado reformas a favor da mulher a nível legislativo. o maior movimento feminista sueco foi nomeado herta para honrar o novela da fredrika bremer sobre os direitos da mulher. detalhe da fachada de uma escola de música e antiga escola para raparigas em lund, suécia.
vida de aprendizagem

longas e intermináveis noitadas de festejo nas nações universitárias, a celebrar o baco, para, logo de seguida recomeçar o estímulo intelectual com estudos árduos sobre maupassant, duras, sartre, stendahl e outros autores do mundo literário francês, sobre os sistemas políticos internacionais, sobre filosofia, sobre a imprensa e a sua história, sobre média e comunicação, sobre autores maravilhosos do mundo jornalístico de séculos passados e contemporâneos, kisch, wallraff, alving, tingsten, nordström, hebbe… 1º de maio celebrado em frente do edifício da universidade de 1882, sob o olhar dos sfinx lá no cume da casa branca e sob a inscrição regia academia carolina, com as magnólias em flor e o coro masculino da universidade a celebrar a vinda da primavera a capella, à beira do castelo da associação académica. piqueniques animados na relva verdíssima no jardim botánico, passeios nos parques desta instituição de sabedoria datada 1666, numa cidade de estudantes para estudantes, jovens praxados e doutores já agrisalhados. curiosidade, sede de beber da fonte, de aprender mais, de avançar, de não parar porque parar é morrer. e se essa aprendizagem durasse uma vida…
sinais de envelhecimento

com uma população a envelhecer a um ritmo alucinante, num país onde a rede nacional de cuidados continuados integrados recentemente começou a ser desenvolvido, e bem, para conseguirmos tratar dos nossos idosos, oferecendo um conforto às pessoas também quando as capacidades começam a diminuir, ou em casa, graças às equipas multidisciplinares de apoio domiciliar, ou nas variadíssimas unidades de média ou longa duração. apesar do enorme avanço e investimento político e social, melhorando de forma franca as condições, falta ainda muito a fazer para podermos garantir esta solução a toda a população envelhecida. muitos passos já foram dados para que muitos tenham uma vida mais digna e aconchegada mas poderá ser que nunca atingiremos aquele modelo ideal que gostaríamos de conseguir para os nossos sorgos, tios ou avós. reconhecemos, sem dúvida, os avanços, mas vendo cenários como nesta foto apanhada na serra algarvia chega-se a perguntar: será que este país é mesmo para velhos?
antes da glória

os governantes encontram-se em plena batalha política. faro tem o actual edil de tavira macário correia a bater à porta, querendo tornar “faro uma capital”. pode ter uma boa reputação, mas muitos tavirenses a criticá-lo por mero paleio e fachada. apolinário pode dizer que “não falamos, fazemos”, diga-se de passagem que o novo visual até permite perceber melhor o discurso do autarca, e constatar que “faro é faro”, mas esta ofensiva de charme poderá vir a não ter o efeito desejado. a frente ribeirinha de faro será requalificada e um porto de recreio, entre variadíssimos projectos de solidariedade de optimização da cidade, sim foram feitas muitas coisas. mas faro continua uma lástima em termos de acessos tanto para o trânsito pedonal, as pessoas que andam de bicicleta e de carro, a não falar das pessoas deficientes. será que esta cidade alguma vez é tornada adaptada às pessoas e as suas necessidades em termos de espaço, de estética e de conforto? seja qual for a política, esta cidade e este país precisa de avançar. muito e depressa.
zen e a arte da manutenção de motocicletas?

faro é invadido durante quatro dias por motards de todo o mundo. um espectáculo visual a não perder para quem gosta dos choppers, construídos de peças recicladas em casa ou de marca, com ou sem side car, todo-o-terreno, naked ou street, harley v-rod ou yamaha. ride hard, mas com cuidado.
com a vida entre as mãos

“un hombre, para ser completo, ha de plantar un árbol, tener un hijo y escribir un libro”
josé martí - revolucionário cubano, jornalista, político, filósofo, poeta
garantindo que isto vale para ambos os sexos
dominio corporale

surgiu no ano passado a discussão sobre proibição de tatuagens e piercings em menores de 18 anos. em nome da segurança e da saúde pública. uma questão que mais facilmente poderia ser resolvida pela decisão da própria pessoa, ou em conversações com os pais, parece-nos. a liberdade do indivíduo deve prevalecer numa democracia. são agora levantadas questões sobre homossexuais e doação e sangue. um acto altruísta. um dever e não uma obrigação, que poderá ser acarinhado por todos. algo que uma pessoa faz para salvar outra vida, não a colocar em risco. com o leque vasta de evidências científicas que demonstram que a infecção do vírus da sida não escolhe nem estatuto social, nem sexo, nem idade ou religião, pergunta-se porquê distinguir este grupo e não só falar sobre o facto de que todas as pessoas com comportamento de risco podem ser infectadas, num país onde são os heterossexuais que neste momento disseminam mais a doença? será que não se trata de declarações infelizes e pouco claras? ou uma interpretação mal feita? esperemos que sim.
ode à fotografia

em homenagem ao escultor e fotógrafo karl blossfeldt (1895-1932), uma fonte de inspiração para todos que procuram a beleza nos pormenores da mãe natureza.
uma questão de raízes…

a árvore asken yggdrasil, ou a árvore do mimer, o eixo do mundo, segundo a mitologia nórdica, a conexão entre humanos e deuses, gigantes e mortos, com três raízes, cada uma ligada a uma fonte, a do destino, a da sabedoria e a do conhecimento, descrita na obra eddan poética do século 14, recontada a história em 1973 pelo escritor e jornalista alf henrikson, imaginada por milhares de crianças através das sagas fantásticas sobre odin, hugin e munin (pensamento e memória), loki, ratatosk, nidhögg, o corcel de oito patas selipner e as valquírias que, segundo a lenda, guardam as frutas que respondem ás grande e importante perguntas sobre a humanidade.
merci, merce cunningham (1919-2009)

(foto: ursula striner)
faleceu o bailarino e coreógrafo merce cunningham. em 1996 tive a oportunidade e honra de me cruzar com o homem no copenhagen dance festival, num trabalho para a secção de cultura gränslöst (sem limites) o jornal göteborgs-posten (o correio de gotemburgo). um senhor esbelte, irrequieto apesar da sua idade já na altura, a cara enquadrada de caracóis despenteadas, uma voz tímida e mãos vividas com dedos finos e longos. um olhar vivaço e curioso. laid-back. parecia mais o avó de alguém com a sua camisa de padrões múltiplas, de castanho e turquesa. na altura tinha 77 anos.
parceiro de john cage durante muitos anos, desenvolveu técnicas de dança, inspiradas no budismo zen e na música do compositor experimentalista e criador de música de acaso, baseadas em contas aritméticas e nas teorias do etinstein sobre a não existência de pontos fixos no universo, mas ao mesmo tempo completamente livres e imprevisíveis. sequências complicadas e fisicamente exigentes, nos últimos anos trabalhadas no computador, quase impossíveis, para os bailarinos na companhia de merce cuningham, no entanto com um resultado espantoso.
falou naquele dia sobre a importância de seguir pela vida for com felxibilidade e com os sentidos abertos. disse na altura: “o movimento fascina-me desde sempre. esta vida tem sido uma aventura espantosa, uma possibilidade de descobrir coisas novas.”
merce cunningham tinha 90 anos.
de corpo e alma

agosto de 2009, III bineal do porto santo, mostra internacional de arte contemporânea, de corpo e alma
tenho procurado cenários que expressam o passar do tempo e as transformações que daí brotam, a virtude, e o belo do degradado, da decadência e do envelhecimento.
padrões que se criam de forma circunstancial num preciso momento, deixando rastos momentâneos, para de seguida mudar. outras, mais permanentes, onde a superfície rachada revela as camadas provocadas pelas vivências e pela força da natureza.
jogando com a ideia do ciclo da vida, do começo e do fim, e da fé, com a sua vertente fantástica do inferno e do paraíso, do diabo e da madonna.
tudo efémero.
tudo ilusório.
malin löfgren
um passo electro-arcáico

toma um dj/berimbau, um dj/percussion e dois músicos de digeridoo, mistura bem e engole só com água e vais ver que és transportado para um mundo novo de timbres electrónicos, misturados com sons aborígenes tribais, fáceis de provocar um estado de transe e relaxamento. os stepline project vão dar que falar, não tenhas dúvida.
atrevias-te?

“beleza sensual, cabeleireiro unisexo” – cena de rua fotografada no cacém
um quarto escuro – exposição de fotografia

7 a 16 agosto exposição “ambientes alentejanos”
local: centro cultural antónio aleixo
org.: associação de fotógrafos amadores ¼ escuro
apoio: câmara municipal de vila real de santo antónio
hora: 18h00 >24h00 (terça a sexta – feira)
20h00 >24h00 (sábado e domingo)
que passa, meu?

pode ser impressão nossa, mas atrás deste portão, com “cadiado”, parece viver uma pessoa com alguns problemas de humor e que, se calhar, procura a tranquilidade em coleccionar ursinhos… o melhor é ter calma. cena de rua, vila real de santo antónio.
no relax

tranquilidade, serenidade, calma, repouso, longe da civilização, longe das confusões diárias. uma brisa suave, refrescante, a embalar as árvores da floresta durante a noite, a acariciar-nos a cara enquanto dormirmos sob o céu estrelado, respirando ar puro, tomando banho nos rios cristalinos, bebendo das fontes naturais, envoltos de carvalho, pinheiro, musgo, feto, mirtilo. voltamos ao primitivo. às raízes. à natureza. tudo verde. tudo húmido. tudo familiar.
quebrar as correntes

“the secret of happiness is freedom. the secret of freedom is courage.” thucydides
procurando calma

hostilities aren’t stilled
through hostility,
regardless.
hostilities are stilled
through non-hostility:
this, an unending truth.
(dhammapada; yamakavagga: pairs, translated from the pali by thanissaro bhikkhu)
memórias de um verão

nascidas do ventre da montanha de granito, puxadas pelas correntes, rebolando mundo fora, polidas pelas forças das águas transparentes, acariciadas pelos ventos gelados e pela dureza do sol, inquebráveis mas ao mesmo tempo macias como o rosto de uma jovem. marca momentânea de paz e de meditação no espaço e no tempo de um verão inesquecível.
“in tibetan buddhism, chanting ‘om mani padme hum’ (om! the jewel is in the lotus) is one way to pray for this and the next life. throwing a stone on a mani pile is equal to one recitation.”
(the dalai lama, tenzin gyatso)
loucos? ou…?
consequência existêncial de uma sociedade perdida que corre desordenadamente para o abismo infernal da perdição total (acromaníacos)
caos
desordem
revolta
anarquia
censura
imposto
fisco
guerra
mortes
terror
fujo ao fisco
desordem total desordem total
anarquia
não pago impostos
abaixo o poder vão-se foder
anarquia
não à censura
cresçe o ódio corrupção
anarquia
ódio
poder
discórdia
corrupção
somos únicos

“no campo do sexo como noutros campos, costumamos referir-nos a uma norma – mas a norma indica apenas o que é estatisticamente verdade para a grande massa dos homens e das mulheres. aquilo que pode ser normal, razoável, salutar, para a grande maioria, não nos fornece um critério de comportamento no caso do indivíduo excepcional. o homem de génio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um é a sua própria lei, e o caminho para a realização passa pelo reconhecimento e pela compreensão do facto de que todos somos únicos.”
henry miller, in “o mundo do sexo”
vote…e se não concorda com nenhum, faça um bønecø

nestes dias de calvário e de franca revelação aterrorizante sobre a (inexistente) capacidade dos nossos políticos que, poucas horas antes de uma das se calhar mais significativas eleições dos últimos anos, demonstram que sabem pouco mais do que gastar o tempo do povo nas arruadas com palavras e frases aguadas e acusações mútuas, à direita e à esquerda, e com posturas muito pouco sérias numa palhaçada pegada, sem esclarecerem minimamente o eleitorado. cansa. irrita. desmoraliza. faz com que ninguém já quer saber deles, homens e mulheres tapam os ouvidos e assobiam para o lado, distraindo-se com assuntos que lhes dizem mais respeito, num ambiente de desassossego total e onde parece que só um novo 25 de abril podia dar mais esperança às pessoas. depois espantam-se que há muita abstenção nas eleições? que o povo, apesar destes 35 anos de democracia ainda não está pronta para fazer uma escolha consciente, informada e de convicção? assim são criadas outras forças partidárias ou levantam-se movimentos cívicos que exigem mais, de todos. como o recém-nascido partido nulø, num apelo à participação de todos no dia dos votos, mesmo aqueles que não concordam com a cacofonia política actual e que gostariam de ficar na cama a dormir, combatendo a abstenção, ao mesmo tempo que o direito e o dever de cada um é exercido de forma criativa e bem disposta. veja como.
e se formos capazes?

fora do contexto das eleições partidárias, lembramos o esforço incansável e o resultado espantoso do projecto “let’s do it” (teeme ära), realizado em estónia em maio do ano passado, com o envolvimento de 50 000 pessoas voluntárias a limparem praias, florestas, becos e ruas do lixo espalhado por pessoas menos conscientes, deixando a brilhar a paisagem, natural e sem nódoas. tendo tido repercussões a nível internacional, nasceu há pouco o seu rebento “limpar portugal” no nosso país, alertando este movimento cívico independente para a importância de nós nos unirmos para uma causa em comum. no próximo dia 20 de março (2010) vamos nos juntar todos, arregaçar as mangas, colocar as luvas e limpar o nosso meio ambiente num só dia, não esquecendo o factor reciclagem dos detritos.
bergman vai a leilão

foto: martin hagberg
photo: taken during the production of ”wild strawberries” (smultronstället) (1957). svensk filmindustri (sf) press photo. source: svenska filministitutet.
no sentido de evitar a tornar a vida dos seus herdeiros (ainda mais) semelhante às histórias dos seus filmes como “cenas de uma vida conjugal” e outros, o cineasta e dramaturgo sueco ingmar bergman, falecido na ilha de fårö a 30 de julho de 2007, arranjou maneira de evitar tais cenas colocando expressamente no seu testamento que as suas pertenças deverão ir a leilão, o que se realiza na próxima semana, segundo vários órgãos de comunicação hoje.
os oito filhotes do artista vão ver objectos como a escrivaninha onde escreveu os seus argumentos, projectores, câmaras, quadros, prémios de cinema e de teatro e peças de xadrez usadas no filme “o sétimo selo” acabar nas mãos de estranhos, dividindo-se no entanto os valores obtidos pelos familiares. assim a herança divide-se nas calmas e ainda alegam agora em várias biografias sobre este génio cinematográfico que era um homem mau?
assim é a democracia
tirou-se a maioria absoluta do partido no poder, deixando-o no entanto como vencedor com maioria relativa, evitou-se a vitória de um partido prepotente, agressivo e cheio de mentiras (e os próprios disseram bem, que estava na “hora da verdade”, toma e embrulha), a favor da direita ainda mais conservadora mas com ideias e coerência, tendo também se deixado crescer a esquerda moderna e revolucionária, também eles numa de demonstrar programa, retirando os votos da outra força partidária da esquerda. a abstenção atingiu 39,4 por cento, tendo registado os votos em branco 1,75 por cento e os votos nulos,1,31 por cento. os portugueses souberam protestar e escolher.
adaptar-se às mudanças do clima
realiza-se, de 23 a 24 de novembro de 2009, em copenhaga, dinamarca, o 7º fórum europeu sobre inovação ecológica, com o fim de conseguirmos, com o esforço de todos, a nível local, regional e nacional, adaptar as nossas vidas às francas mudanças do clima, através de inovações ecológicas.
para mais informações sobre o 7º fórum europeu sobre inovação ecológica, veja aqui. participe.
fotografia em nome da inclusão

a ars algarve ip assinala, no próximo dia 8 de outubro de 2009, às 15:00 horas, o dia mundial da visão com a inauguração da exposição «fotografias em relevo» da autoria do fotógrafo conimbricense paulo abrantes, na sala de exposições da ccdr algarve em faro (praça da liberdade, nº 2). segue-se uma conferência intitulado «a fotografia como forma de inclusão» com a presença do artista que fará uma abordagem sobre a técnica utilizada, a evolução do processo de impressão e a fotografia como meio de aproximação entre as diferenças.
dirigindo-se esta particular exposição ao público em geral com especial atenção ao público invisual, a ars algarve ip coloca desta forma a arte da fotografia ao alcance de todos. a exposição «fotografias em relevo» estará patente de 8 a 29 de outubro, das 10:00 às 19:00 horas (2ª a 6ª).
que vergonha

“the question is, why are politicians so eager to be president? what is it about the job that makes it worth revealing, on national television, that you have the ethical standards of a slime-coated piece of industrial waste?” (dave barry)
água da nossa terra

já se encontra nas lojas portuguesas a água embalada “earth water”, segundo as informações o único produto no mundo com o selo do alto-comissariado das nações unidas para os refugiados (acnur), que “oferece 100% dos seus lucros mundiais” ao programa de ajuda de água potável às pessoas necessitadas, ajudadas por aquela entidade.
o projecto conta com a colaboração da tetra pak, do continente, da central cervejas e bebidas, da mstf partners, do grupo gci e da fundação luís figo.
a água é o essencial da vida. não custa nada ajudar os outros.
zilverzurf “howling dogs & lost souls” com os marenostrum

domingo 4/10 15:00 café inglês, silves (perto do castelo)
sábado 10/10 23:00 associacão artistas, faro
estes concertos, num mix de música reggae, afro, ambiente, tradicional portuguesa, klezmer, cumbia e mais, preparam uma curta digressão na suécia com os marenostrum a iníciar no dia 14 de outubro.
zilverzurf aka joão sueco aka johan zachrisson
levar uma tampa por uma boa causa
é mais ou menos como acontece quando o amor já acabou. esvazia-se, escorra-se e espalma-se (os sentimentos). só que nestas acções, de iniciativa da algar (valorização e tratamento de resíduos sólidos, s.a) e da amal (comunidade intermunicipal do algarve) não arriscam, de todo, ninguém arriscar ficar magoado, mas feliz graças à missão agora dada á população algarvia de recolher o maior número de garrafas de plástico com tampa possível, colocá-las nos ecopontos amarelos para reciclagem e transformar cada tonelada em dinheiro que reverte para oferecer material ortopédico a pessoas necessitadas e instituições de solidariedade social.
no âmbito da campanha com o nome “tampinha só com garrafinha”, o material reciclável pode ser entregue nas estações de transferência da algar (albufeira, alcoutim, aljezur, castro marim, lagos, loulé, tavira e vila do bispo), nos ecocentros de albufeira, portimão e quarteira e nos aterros sanitários do barlavento e sotavento.
lembrem-se de achatarem bem as garrafas de forma a ocuparem menos espaço (tal como no processo de esquecimento de uma relação), facilitando o transporte até ao ecoponto.
u(g)o – unidentified (graffitied) object

“people say graffiti is ugly, irresponsible and childish. but that’s only if it’s done properly.” (banksy, street artist, uk)
vida diferente

um dos perfis únicos da minha cidade, uma personagem colorida, longe do main stream, sui generis.
aprende e vive, frentex

“it is perfectly true, as philosophers say, that life must be understood backwards. but they forget the other proposition, that it must be lived forwards. and if one thinks over that proposition it becomes more and more evident that life can never really be understood in time simply because at no particular moment can i find the necessary resting-place from which to understand it backwards.”
a dama desordenada

se calhar a mais importante banda sueca de punk feminina dos anos 80, interlocutoras da zanga das gajas nórdicas, da revolução do sexo forte, da emancipação e das questões sociais sempre actuais. cruzei-me o outro dia com a autora das letras musicais deste grupo de moças das “tant strul” (a dama desordenada) que hoje já está mais crescidas. o tempo voa mas a alma punk prevalece.
bloggers utilizam imagem nossa e stats disparam, agradecemos
imagem: retirada do sítio d’ a defesa de faro
nestes dias de total liberdade na blogosfera, onde muitas vezes o respeito pelo material (textos e imagens) do outro falha, vai o sítio “a defesa de faro” tirar uma foto do nosso blog e da nossa autoria, de julho de 2009 a ilustrar a campanha para as legislativas e as autarquicas, sem pedir licença, e sem responder ao pedido por mail de colocarem, pelo menos, um link para o texto e para o site onde foram retirar a imagem. emprestamos, com todo o gosto, as nossas fotos desde que estejam devidamente identificada e assinaladas. e tendo tido os colegas farenses o juízo de deixar ficar o nosso nome com a copy na foto, achamos que não houve grandes estragos. aliás notámos que as visitas dispararam. portanto, obrigada por nos terem ajudado conseguir um dia em cheio. uma boa continuação de escrita sobre a cidade de faro. voltem sempre.
alta degradação

políticas de rendas antigas, desinteresse dos donos, conflitos familiares de herança, abandono, degradação, abrigo momentâneo de sem-abrigos, falta de cuidado com o património, ambientes onde o rosto da arquitectura típica e o legado cultural desaparece. a cidade de faro não é excepção.
a natureza da imaginação

“the tree which moves some to tears of joy is in the eyes of others only a green thing that stands in the way. some see nature all ridicule and deformity, and some scarce see nature at all. but to the eyes of the man of imagination, nature is imagination itself.”
(william blake, 1799, the letters)
assinala-se o dia mundial da visão

para o direito de todos, homens e mulheres, de verem e de terem acesso ao mundo que nos rodeia, em nome da inclusão. o programa 20/20 é uma iniciativa da organização mundial da saúde para eliminar a cegueira evitável.
a vida, segundo a edith

“you sought a flower and found a fruit. you sought a spring and found a sea. you sought a woman and found a soul. you are disappointed.”
(edith södergran 1891-1923)
uma casa portuguesa com certeza

lê-se num relatório do parlamento europeu de 1996, mas podia ter sido escrito hoje, que “portugal, espanha e a grécia têm um sector particularmente vasto de alojamento ocupado pelos respectivos proprietários” ao mesmo tempo que “o número de alojamentos de aluguer de carácter social é mínimo” e “o sector de alojamento de aluguer de modesta qualidade de carácter privado está em declínio”.
tentando dar uma reposta a esta problemática de direito (humano) a uma casa e um lar seguro, a aliança internacional de habitantes luta para criar condições dignas para todos num sistema baseado em tolerância, igualdade social e ambiental, desenvolvido com a ajuda dos próprios moradores, com o envolvimento dos poderes públicos para uma realidade urbana mais saudável. vale a pena conhecer o trabalho da aih, também na plataforma europeia pelo direito à moradia (2009).
o músico escritor

músico, cantor, argumentista e autor de livros, nick cave acaba de sair com o seu terceiro romance “the death of bunny monore”, inspirando sobre a vida, o amor, o sexo, a morte e a religião, tal como nas suas letras, “…and i believe in some kind of path…” (into my arms, the boatmans’ call, 1997)
zem arte…em plena actividade

nasceu das mentes criativas de uns amigos mais um espaço de cultura no algarve, desta vez em são brás de alportel, entre o barrocal e a serra, com a abertura destemida do “zem arte”, numa antiga fábrica de cortiça, redecorada e transformada num local para encontros culturais e exposições artísticas. recomenda-se.
dia mundial da bengala branca em faro

conforme o anunciado pela administração regional de saúde do algarve ip:
“a delegação do algarve da associação dos cegos e amblíopes de portugal (acapo) assinala, na próxima quinta-feira, dia 15 de outubro de 2009, em faro, o dia mundial da bengala branca com várias actividades dirigidas ao público em geral para sensibilizar o público para, entre outras coisas, os problemas de mobilidade das pessoas invisuais, lançando ainda a primeira campanha de angariação de fundos a nível regional da acapo algarve, intitulado «um olhar por quem não vê». os eventos da acapo no dia mundial da bengala branca são realizados com o apoio da ars algarve ip, da lions, da câmara municipal de faro e do museu municipal de faro.”
programa
museu municipal de faro:
10:00 horas – exposição/ demonstração de ajudas técnicas para a deficiência visual (durante todo o dia)
15:00 horas – sessão de esclarecimento sobre as dificuldades na mobilidade das pessoas com deficiência visual
15:45 horas – apresentação da campanha de angariação de fundos «um olhar por quem não vê»
16:30 horas – percurso de experimentação de bengala branca (entre o mmf e a cmf)
auditório pedro ruivo:
21:30 horas – recital de poesia com música
à descoberta de uma nova linguagem

percorrendo as páginas de braille com as pontas dos dedos, et voilá, aprende-se uma nova via de comunicação. código braille criado por luís braille (1809-1852), disponibilizando a palavra escrita a pessoa invisual. um passo decisivo em direcção à inclusão, portanto.
a loucura das feiras

enquanto os carrosséis rodam, os churros fritam, os carrinhos de choque deitam faíscas, o fumo das castanhas assadas enche o ar e as vendedoras de mantas para o inverno berram sobre preços em conta, o comercio da doçaria tradicional vende amor em sacos. a fúria das feiras está em alta.
a dança das cadeiras à la farense

acabaram as autárquicas, acabou a festa para alguns, começa a festa para outros. faro, capital do algarve, muda de liderança política na terça-feira, dia 20 de outubro de 2009, com a saída do apolinário da câmara municipal de faro e a entrada do macário correia. se os eleitores tiveram razão para mudar de autarqua só resta ver. o futuro dirá. entretanto, o povo diverte-se como só o povo sabe. desejamos toda a sorte possível à cidade.
soberania alimentar – uma questão de sobrevivência

há partidos políticos que colocam a questão da alimentação como um assunto primordial na suas intervenções. e ainda bem que assim é. alguém tem de levar esta luta emergente à sério. comer é um direito básico. alimentar-se com qualidade também. para todos. em todo o lado. e vivendo numa sociedade desenvolvida e pertencendo aos ditos países do primeiro mundo é irónico que fazemos tudo para caminharmos na direcção de uma realidade onde arriscarmos ficar sem mantimento, e isto num futuro não muito longínquo.
realizamos as colheitas antes dos frutos são maduros. produzimos em tanto excesso que deitamos fora milhões de toneladas de comida diariamente. isto em vez de produzirmos qb, distribuindo os alimentos de forma justa. estragamos as espécies. e corremos riscos de saúde.
felizmente há jornalistas em cima do assunto que nos alteram e nos informem.o jornalista fredrik gertten foi recentemente processado pelo gigante dole por difamação no seu documentário “bananas!” e censurado a denunciar que os trabalhadores nas colheitas se tinham tornado estéreis por causa das pesticidas utilizadas. outra lutadora em nome dos alimentos, isabella lövin, jornalista sueca premiada variadíssimas vezes em 2007 pelo seu jornalismo de investigação sobre os estados dos oceanos, as políticas de pesca a nível local, regional, nacional e europeu lançou o inquietante “oceano silencioso – à caça do último peixe” (ainda não traduzido para português) sobre como a indústria piscatória até é subsidiada enquanto apanha cada vez mais cedo o bacalhau, o salmão, a enguia, travando o seu processo de criação e consequentemente alterando todo o equilíbrio do eco-sistema.
precisamos de cuidar das nossas terras, da nossa riqueza aqui e agora, e o que melhor do que apoiar os produtores nacionais, aqui por perto, a virar a esquina. para termos boas alternativas. ainda não é demasidao tarde. sem ter afiliação n’os verdes, a soberania alimentar é uma causa a apoiar!
colectiva em olhão

reposição de uma das exposições da alfa deste ano, agora aumentada para 30 imagens da ria. exposição colectiva, inserida na iniciativa fotofesta, com imagens de vários alfistas com as visões naturalmente diversificadas de um dos biótopos mais valiosos e frágeis do algarve. no ria shopping de olhão, entre 14 de outubro e 1 de novembro.
autores:
alexandre vicente , ana aguileira, ana coutinho, ana mendes do carmo, antónio pereira, dário estrela, inês coutinho, joão pelica, joão pinto, joão prudêncio, jovino batista, luciano abelheira, luis costa, luis ricardo jorge, luis teixeira, malin lofgren, mauro rodrigues, paulo frutuoso, paulo sopa, pedro santos, raul morgado, samuel sardinha, silvia viegas, tátá regala, tiago afonso, tiago vieira, zé mendes.
nota: imagem da autoria do tiago vieira
sinais para quem não quer ver

numa cidade onde o estacionamento de carros é um eterno problema, onde os sentidos das rua e ruelas são alteradas com frequência e onde o bom senso do cidadão não fala mais alto, com a consequência de parqueamento em cima das passadeiras e dos passeios. será que a sinalética à bruta e hiper-dimensionada ajudará iluminar o pessoal e resolver o problema?
exposição passada

fotografias no III bienal do porto santo, centro cultural, agosto de 2009
dias mais cinzentos

“clouds come floating into my life, no longer to carry rain or usher storm, but to add color to my sunset sky.”
(rabindranath tagore, 1861-1941)
legendary tiger man no t.e.m.p.o
paulo furtado aka legendary tigerman torna o algarve mais colorido com um concerto, no dia 31 de outubro, no t.e.m.p.o em portimão, deixando-nos o cheirinho e o toque especial do álbum mais recente “femina”. no programação do teatro lê-se: “lucille não era uma mulher, mas uma guitarra que bb king incendiava com os dedos quando os blues queimavam. e big mama thornton não era um símbolo sexual, mas cantava hound dog com mais cio que elvis. mulheres e rock and roll. história antiga. e eterna. novo capítulo: femina, o novo álbum do legendary tiger man, assombrado alter-ego de paulo furtado que desde 2002 explora as margens dos blues electrificados, com a guitarra encharcada nu reverb que a atira para outro tempo.” promete…
o fotógrafo que acertou na mouche (ou não)

eleito como autor do melhor álbum fotográfico da semana pela página web sueca fotosidan (a página de fotografia), o fotógrafo magnus muhr já começa a ter o seu nome espalhado pelo mundo fora graças às fotos humorísticas que cria com uns simples rabiscos num papel branco á volta de uma, duas ou mais moscas mortas, tipo bd. “tudo começou”, conta, “numa festa um bocado choxa quando encontrei uma mosca morta e, para me divertir, fui buscar uma caneta, um papel e uma pequena máquina de fotografia e criei um cenário que toda a gente gostou”, sublinhando, no entanto, que “nunca me passaria pela cabeça matar moscas para o efeito”. tendo este senhor das moscas, como já é intitulado, conseguindo em poucos dias vender variadíssimos quadros com os bichinhos em posições que não parecem ter fim, promete continuar a brincar com os bichinhos em prol do humor e boa disposição.
(tradução: gostaste? mm…conseguiste mesmo, britta, sabe mesmo à merda!!)
declaração à malta “doida”

“the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes ‘awww!’”
(jack kerouac, 1922-1969)
responsabilidade humanista

“it is necessary to help others, not only in our prayers, but in our daily lives. if we find we cannot help others, the least we can do is to desist from harming them.”
a primeira vez

tinha eu 14 anos de idade. a experiência fez-me olhar para o mundo de forma diferente. a realidade transformou-se em pedaços quadrados nas minhas mãos. abriu-me novos horizontes. compilou os espectros em imagens coloridas que com o tempo se tornaram esbatidas. captou naquela cassete recordações, momentos com a família, um dos primeiros grandes amores numa viagem de barco de vela, animais e flores. leve. de plástico. preto e cinzento. letras em vermelho vivo. com focus fixo. abertura fixa. made in spain. o disparador deixou de operar, encravado com o pó dos anos e ganhou ferrugem no clima húmido de um país estrangeiro. acabou por servir de brinquedo, até se partir por completo. produzida pela kodak entre 1966 e 1972, emprestada pelos pais que depois nunca a quis de volta. relíquia que era, devia ter ficado numa colecção, apesar do seu estado lastimável, em vez de acabar no lixo. miss you.
do algarve para o mundo através da arte fotográfica

organizado pelo racal clube, com o apoio da câmara municipal de albufeira, o 35º salão internacional de arte fotográfica do algarve promove desde há muitos anos a região algarvia através da fotografia, a nível nacional e internacional, internacionalmente reconhecido pelas duas federações mundiais de fotografia, the international federation of photographic art (fiap) e photographic society of america (psa).
decorre de 6 de novembro de 2009 a 4 de janeiro de 2010, na sala polivalente da biblioteca municipal lídia jorge em albufeira, com o seguinte horário: 3ª à 6ª das 9h30 às 19h15, sábados e 2ª das 13h45 às 19h15.
erase and rewind
comportamento causado devido ao stress, criando relacionamentos instáveis e supérfluos. boa música. má onda quanto aos contactos com as pessoas a nossa volta. cardigans.
a pureza da mente

“we are shaped by our thoughts; we become what we think. when the mind is pure, joy follows like a shadow that never leaves.”
(siddharta gautama, fundador do budismo, 563-483 a.c.)
álvaro e outros pessoas

“vamos interpretar, ouvir, ver, ler e conversar sobre a poesia do álvaro de campos de fernando pessoa. e sobre outros pessoas interessantes também. por isso esperamos que pessoas apareçam para contribuir para estas sessões, com a escuta que mais não seja, dos poemas que queremos partilhar, e que tragam também consigo poemas, histórias ou divagações sobre pessoa e este seu engenheiro. temos também música e vinho em ambiente de café-teatro. quem sabe o que mais poderá surgir?”
15ª produção al-masrah teatro
direcção: pedro ramos
interpretação: bruno martins, cátia agria, patrícia amaral, pedro carvalho, pedro ramos
luz e som: valter alves
estreia sáb. 21 novembro, espectáculos seg. 30 nov. e sex. 4, sáb. 5, seg. 7 dez, às 21:30
espaço da corredoura, tavira
sonhos infantis, monstros 3D em fotografia

vai estar patente na sala de exposições da ccdr algarve em faro nos próximos dias 7 a 17 de dezembro 2009 uma exposição fotográfica denominada “monstros 3D”, dos autores maia coimbra, nelson fernandes e tiago vieira.
esta mostra fotográfica será visionada com auxílio de óculos 3D que estarão disponíveis na mesma, para uso dos visitantes aquando da sua visita, e no dia 7 (abertura) será realizado um workshop sobre fotografia em 3D pelas 10 da manhã também nas instalações da ccdr algarve.
esta exposição, que conta com o apoio incondicional da ccdr algarve, tem como patrocinadores as empresas; ideias frescas, digifoto e reclalgarve.
mix humana na arte fotográfica
o mundo da arte encontra-se com o da matemática nesta espectacular colagem de fotografia onde o artista, matemático e investigador de artes santiago ortiz aplica o diagrama de voronoi nos retratos tirados na série “exteriors“ pelo fotógrafo kelly castro, criando “love is patient”. velhos, jovens, barbudos, carecas, vesgas, giraços, musculados, cromos. todos iguais mas ao mesmo tempo tão diferentes. verdadeira magia.
fantasia burtoniana em retrospectiva no moma

nestes dias é possível ter acesso físico ao mundo fabuloso do tim burton nas salas do moma (museu de arte moderna) de nova iorque, numa retrospectiva dedicada ao criador e autor americano, pai do “eduardo mãos de tesoura”, “a noiva cadáver” e “o estranho mundo de jack”, numa exposição que junta 700 objectos, desde pinturas, desenhos e fotografias, até marionetas e vestuário utilizado nos filmes. cativa e maravilha miúdos e graúdos até fins de abril de 2010. em nome da imaginação.
fotografia do meu esconderijo

“whether he is an artist or not, the photographer is a joyous sensualist, for the simple reason that the eye traffics in feelings, not in thoughts.”
código pele

a banda algarvia os nome apresenta esta noite, 4 de dezembro, a nova “código pele” na associação de músicos em faro, pelas 22:00 horas. a não perder!
sombra chinesa

you are one of my dreams -
good if no one wakes me! -
one of my beautiful candles,
that darkness not cover me.
fighter for goals so pale,
ice and glass and sharpened steel!
the brilliant day
i scarce know if the dream will bear.
there is solace in the dream’s perfumes,
cool, scarcely perceptible.
yet i would give them all away
for the earthly real.
warmth of dear beautiful hands…
i want to love, not fantasize.
life’s ripeness
the dream will never imitate.
(karin boye, “to the shadow of a reality”, 1927, tradução david mcduff)
alfa realiza exposição colectiva do fotofesta no museu do trajo em são brás de alportel

o fotofesta, 1º festival de fotografia do algarve, da alfa (associação livre fotógrafos do algarve) inaugura no dia 12 de dezembro uma exposição colectiva nas instalações do museu do trajo de são brás de alportel, em colaboração da associação «amigos do museu do trajo de são brás de alportel», parceiro do festival.
a exposição de fotografia, que inclui imagens dos sócios da alfa que fizeram exposições individuais no festival, ficará patente até ao dia 9 de janeiro de 2010. nessa data será inaugurada uma exposição da malin lofgren que ficará no museu do trajo até ao final do mês de janeiro.
c’est comme ça…
c’est comme ça
ah, la la la la
ouais
le secret
ça coupe et ça donne
oh, oh, faut que j’moove
sans fin
du venin
qui me fait mal au cœur
quand
le serpent
chaloupe et console
oh, oh, faut que j’moove
l’ami sadi
s’enlise
et là ça fait peur
si c’est ça
ah la la la la
ça le susurre
a mes entournures
ah, ah, faut que j’moove
ça le grince
juste pendant la nuit
ah, c’est comme ça
ça plonge et ça vire
ah, ah, faut que j’moove
et ça gêne
quoi, quand y a pas de plaisir
c’est comme ça
ah la la la la
la lala lala lala lalala…
j’veux pas t’abandonner,
mon bébé
j’veux pas nous achever,
tu sais
c’est pas que je veuille tenir
ni que je veuille m’enfuir
il me faut prendre le frais, c’est vrai
hé, hé, hé
hé, viens près de moi
que je te le dise
faut que j’moove
ce secret qui me tord le cœur
ah, la la la…
inverno

“adversity draws men together and produces beauty and harmony in life’s relationships, just as the cold of winter produces ice-flowers on the window-panes, which vanish with the warmth.”
(søren kierkegaard, filósofo existencialista dinamarquês, 1813-1855)
reproduzido no denúncia coimbrã. agradecemos.
“entradas” – exposição de fotografia em faro

decorre a exposição intitulada “entradas”, de autoria de malin löfgren, de 15 de dezembro de 2009 a 5 de janeiro de 2010, no restaurante costa algarvia (rua. d. francisco gomes), em faro.
através da lente da câmara fotográfica, “entradas” chama-nos a atenção para pormenores arquitectónicos e detalhes de um património em vias de desaparecimento, confrontando-nos com o seu estado pouco cuidado e fazendo-nos reflectir sobre a beleza das pequenas coisas à nossa volta.
















































































